quarta-feira, 18 de julho de 2018

Cenários de Marajó City - parte 4 // Scenarios of Marajó City - part 4


Olá, pessoal! 
Estou em férias e viajei para o sul, então estou há um tempo sem postar… mas aqui, sempre tenho boas inspirações! 
Prossigo na série de “Cenários de Marajó City”, com mais duas fotos. Fico muito feliz pelos amigos e amigas que de alguma forma me dizem que tem gostado desta série. A idéia continua ser a de colocar todos vocês, nos cenários das aventuras narradas nas crônicas de Marajó City!
Seguem as duas, com o comentário abaixo de cada foto:

Hello guys!
I'm on vacation and I traveled to the south of Brazil, so I've been there for some time without posting ... but here, I always have good inspirations!
I continue in the series of "Scenarios of Marajó City", with two more photos. I am very happy for friends who somehow tell me that they have liked this series. The idea continues to be to put all of you, in the scenarios of the adventures narrated in the chronicles of Marajó City!

Follow the two, with the comment below each photo:



Na foto acima, a rotina de quem viaja da capital para Marajó City. Todas as semanas, eu embarcava no navio às 18 horas, atava a minha rede e viajava por 12 horas na rede, assim como na foto, com minha mochila pendurada bem acima da minha rede! Vejam que é assim que todos viajam, atando as redes lado a lado. Foi numa dessas viagens que, quando acordei, estavam dois réus que…. ops! Isso ainda não contei nas crônicas de Marajó City! Então, por essa, vocês terão de esperar!!!


In the photo above, the routine of those who travel from the capital to Marajó City. Every week, I would board the ship at 6:00 p.m., attach the hammock and travel for 12 hours in the hammock, just like in the photo, with my backpack hanging high above my hammock! See that this is how everyone travels, tying the nets side by side. It was in one of those trips that, when I woke up, were two defendants who .... ops! I still have not told you about the Marajó City Chronicles! So for this story, you will have to wait !!!




Esta outra foto acima, mostra mais uma das “ruas" de Marajó City. Foi em um trapiche assim, no final de uma dessas ruas, que aconteceu o desentendimento entre o Fila-Bóia e o Cara de Cuspe, que deu origem a uma crônica contada em duas partes.





This other photo above shows one more of the "streets" of Marajó City. It was in a warehouse like this, at the end of one of these streets, that the Fila-Bóia and Cara de Cuspe, which gave rise to a chronicle counted in two parts.

* I must explain to friends who read in English, that in Marajó, people are known by their nicknames and, hardly anyone knows the real name of someone. “Fila-Bóia“ is a nickname and roughly means "Steal-Food" and “Cara de Cuspe" means approximately “Face Of Spit".


Por Luís Augusto Menna Barreto

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Imagens do Contículo de um Milagre


Olá pessoal,

Vocês lembram do “Contículo de Um Milagre”? 
A maior parte da ação passa em uma igreja em Belém do Pará.
Eu lembro que no conto, eu tento descrever a igreja, o mesanino e a escada que leva ao mesanino.
Pois eu estou fazendo esta postagem, porque fiz as fotos do local para ambientar os amigos que leram o conto.
Para quem quiser relembrar esse conto, é só clicar no link abaixo.
Espero que gostem de ver os locais onde aconteceram as cenas…!
(Igreja dos Capuchinhos, bairro São Brás, em Belém, Pará)
Um imenso abraço.


Luís Augusto Menna Barreto








sábado, 7 de julho de 2018

Cenários de Marajó City - parte 3 // Scenarios of Marajó City - part 3

Cenários de Marajó City - parte 3 
// 
Scenarios of Marajó City - part 3

Olá, pessoal! 
Espero que vocês estejam gostando desta série dos Cenários de Marajó City
Prossigo com estas duas fotos:
//
Hello guys!
I hope you are enjoying this series of Marajó City Scenarios
I continue with these two photos:



Esta foto acima, é a praça de Marajó City, que fica em frente à porta do forum. Nesta praça que acontecem muitas cenas das crônicas como, por exemplo, em “Maria Sem Sossego, Mariposa e… justiiiiiiiiça”. À esquerda fica o trapiche municipal. A prefeitura, o hospital e a delegacia da cidade ficam à direita da praça.
//
This picture above, is the square of Marajó City, which is in front of the door of the forum. In this square there are many scenes from the chronicles, such as "Maria Sem Sossego, Mariposa e ... justiiiiiiiiça” ("Mary Without Peace, Moth and ... justiiiiiiiiice”). To the left is the municipal berth. The city hall, hospital and city police station are to the right of the square.






Nesta segunda foto, uma vista do interior do fórum. A foto foi feita da porta de entrada, para quem vem da praça. À esquerda e à direita as várias salas. O gabinete fica além das paredes provisórias. O salão do júri, que eu nunca conseguia inaugurar é bem ao fundo. Entrando no salão do júri e dobrando à esquerda, há uma cela que, por falta de presos, usávamos como depósito. Lá que os funcionários tinham medo de entrar por causa das “visagens”. Conto melhor isso nas duas crônicas: “O Fechadura, a Audiência e a Visagem”.

In this second photo, a view of the interior of the forum. The photo was taken from the front door, for those who come from the square. To the left and to the right the various rooms. The judge's private room is beyond the temporary walls. The jury room, which I could never open, is deep in the background. Entering the jury room and turning left, there is a cell that, for lack of prisoners, we used as a deposit. There the employees were afraid to enter because of the "visions." I tell this better in the two chronicles: "The Lock, the Audience and the Visage”.



//





Por Luís Augusto Menna Barreto

quinta-feira, 5 de julho de 2018

poesia de ver - ... flor de anjo! // Poetry to see: ... angel flower!

Poesia de ver: … flor de anjo!
//
Poetry to see: ... angel flower!



A florzinha pendia… alguém havia quebrado seu caule… morria…
Ainda assim, eu não a vi triste. E perguntei a ela por que sorria.
— Porque alguém achou que eu fosse um anjo, e colocou-me assim para que parecesse que estou descendo do céu…!
Há corações que simplesmente recusam-se à maldade… 

The little flower hung ... someone had broken its stem ... died ...
Still, I have not seen sad. And I asked her why she smiled.
"Because someone thought I was an angel, and put me like this so it would seem like I'm coming down from heaven ..."
There are hearts that simply refuse to be wicked ...


Por Luís Augusto Menna Barreto

Obs: Dedico essa postagem à querida amiga Armelinda (@armelindasanta1), 
que, me pediu uma nova “poesia de ver”!

sábado, 30 de junho de 2018

Cenários de Marajó City - parte 2 // Scenarios of Marajó City - part 2

Cenários de Marajó City - parte 2 
// 
Scenarios of Marajó City - part 2

Olá, pessoal! 
Seguindo a série dos “Cenários de Marajó City”, trago estas duas imagens.

      Hello guys!
Continuing the series "Scenarios of Marajó City", I bring these two images.




Essa foto aí em cima, é o Fórum de Marajó City, onde ocorreram a maioria das histórias. Uma construção antiga, térrea, que fica na rua na beira do rio. Vocês podem ver que o prédio fica em uma esquina, e há uma porta e várias janelas. Aquela porta que aparece, é a porta do Salão do Júri, e quase nunca foi aberta, porque ninguém se matava enquanto o promotor era o “Cava-Cova”. A porta que realmente usávamos, não aparece na foto, porque fica à esquerda. A parte que não vemos da construção fica de frente para a praça, que, em relação à foto, fica também à esquerda.


That picture up there is the Marajó City Forum, where most of the stories happened. An old, ground floor building that sits on the street by the river. You can see that the building is on a corner, and there is a door and several windows. The door that appears, is the door of the Jury Room, and was hardly ever opened, because nobody was killed while the promoter was the “Cava-Cova” ("Cava-Pit"). The door we actually used does not appear on the photo because it's on the left. The part that we do not see of the construction is facing the square, which, in relation to the photo, is also on the left.



Essa segunda foto foi feita da janela do fórum e mostra o trapiche municipal, onde os navios vindos de Belém com destino a Breves (e vice-versa) atracam alguns minutos para embarque e desembarque de passageiros, geralmente à noite. Ali no trapiche, várias situações se passaram, como por exemplo, um momento constrangedor, em que fui enganado por mim mesmo, como eu conto na crônica "O Surdo, Os Gêmeos e Seu Raimundo Duas Vezes”. 
Para relembrar essa crônica clique AQUI!!


This second photo was taken from the forum window and shows the municipal shipyard, where ships from Bethlehem to Breves (and opposite direction) dock a few minutes to board and disembark passengers, usually at night. There in the shipyard, several situations have passed, such as an embarrassing moment, in which I was deceived by myself, as I tell in the chronicle "The Deaf, The Twins and Mr. Raimundo Twice."


Por Luís Augusto Menna Barreto

domingo, 24 de junho de 2018

Cenários de Marajó City // Scenarios of Marajó City

Cenários de Marajó City
Scenarios of Marajó City

Olá, pessoal! 
Estou envolvido com projetos que estão tomando quase todo o meu tempo. 
Mas, fazendo uma pesquisa em antigos “HD’s" externos, encontrei registros antigos, a partir dos anos 2005 / 2006, de cenários onde se passaram a maioria das cenas de Marajó City! Então, vou passar a publicar aqui, algumas dessas fotos, com algum comentário, para tentar levar a todos os amigos do blog e aos que curtem as aventuras de Marajó City, uma idéia melhor de onde se passam as cenas. 
Pretendo também, mostrar inclusive alguns dos personagens recorrentes de Marajó City.
A ordem será completamente aleatória, porque estou em um processo de descobrir as imagens, fazendo algumas pesquisas em todas as formas de armazenamento… e pretendo ir postando, intercalando com algumas outras postagens.
Espero, sinceramente, que vocês recebam com carinho, os cenários que fizeram parte de minha vida por muitos e muitos anos, e que tanto amo! 
Inicio com este duas:

Hello guys!
I'm involved with projects that are taking up almost all of my time.
But by doing some research on old external HD's, I found old records, from 2005-2006, of scenarios where most of the scenes of Marajó City have passed! So I'll post here some of those photos with some comment, to try to take to all the friends of the blog and those who enjoy the adventures of Marajó City, a better idea of ​​where the scenes happen.
I also want to show some of the recurring characters of Marajó City.
The order will be completely random because I'm in a process of discovering the images, doing some research on all forms of storage ... and I plan to go posting, interspersing with some other postings.
I sincerely hope that you will receive with affection the scenarios that have been part of my life for many, many years, and that I love so much!

Start with this two:



Esta acima, é a sala de audiências onde ocorreram a maioria dos casos que se passam em audiência! Podem notar a impressora e os fios na mesa?! Pois é! Só faltava um pequeno detalhe: ter um computador pra ligar!!!!! (Faço menção a isso na crônica O Presidente o Manobra e a Ambulância - parte 2)

This is the courtroom where most of the cases that occurred in the hearing took place! Can you see the printer and the wires on the table ?! Yeah! Just missing a small detail: have a computer to call !!!!! (I mention this in the chronicle The President the Maneuver and the Ambulance - part 2)



Esta acima, é um dos caminhos de Marajó City! Por cima do rio. Pontes imensas, que substituem ruas em muitos pontos da cidade. Minha rotina diária envolvia (necessariamente) caminhadas nessas pontes! (Em várias crônicas, existem esses caminhos)!

This up is one of the ways of Marajó City! Over the river. Huge bridges, which replace streets in many parts of the city. My daily routine involved (necessarily) walks on these bridges! (In several chronicles, there are these paths)!


Por Luís Augusto Menna Barreto

domingo, 10 de junho de 2018

unplugged writings (3): (não sei o título)


Mais uma da séria “unpluggd writings”, escritos que descobri guardados e empoeirados, da década de 80, quando ainda tinha coragem de escrever só com o coração e a coragem que a juventude nos dá. Posto-o assim como o encontrei: velho, amarelado, esquecido, com caligrafia sofrível e algumas rasuras… 



Por Luís Augusto Menna Barreto

domingo, 3 de junho de 2018

Poesia de ver: … olhinhos de ver a Deus!

Poesia de ver: … olhinhos de ver a Deus!



Eu vi o sorriso dele tão iluminado quando o sol na foto:
— Como pode o sol ter ficado tão grande na foto, papai?
Eu só soube uma resposta:
— Porque eu olhei pro sol com teus olhinhos!

Por Luís Augusto Menna Barreto

Obs: Dedico essa postagem às queridas amigas Eunice Martins (@nicemartinss2) e Maria Zélia (@mzeliafernande2), que, vendo a imagem que postei no VERO, sugeriram que eu fizesse uma legenda. Espero que gostem!

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Uma Boa Causa De Marajó City


Olá, pessoal! 
Dessa vez, venho trazer uma boa causa pra todos os amigos do blogue.
Em Marajó City, especificamente na cidade de Breves, no Marajó, há uma escola chamada Maria Rafouls, mantida pela Congregação das Irmãs da Caridade de Santa Ana. É uma escola maravilhosa que recebe, alimenta, alfabetiza e EDUCA muitas crianças que não teriam outra oportunidade! Muito mais do que ser uma escola, Maria Rafouls é a família para muitas crianças, é onde recebem carinho, efetivo cuidado e onde podem sorrir, aprendendo, também, responsabilidades. O trabalho é incrível! Lindo! Comovente. 
Eu, pessoalmente, estive lá algumas vezes. E, em cada vez que estive por lá, eu me senti pequeno. Muito pequeno. Porque todos ali, absolutamente todos, certamente são muito maiores que eu aos olhos de quem realmente importa, porque fazem de forma abnegada, sem olhar pra dificuldades, o que eu, com tantas Graças, com tanta generosidade da vida, quase nunca faço, ou quase "nunca tenho tempo" de fazer, atolado em mil desculpas esfarrapadas que certamente me diminuem como gente, como parte da sociedade, como Cristão que sou.
A escola precisa sempre de ajuda. As crianças precisam. As irmãs fazem um trabalho heróico. Os funcionários doam-se! … no fim, deitam-se cansados, mas, tenho certeza, com um sorriso na alma muito maior do que meu egoísmo me permite.
Daí que estou tentando fazer um mínimo pra contribuir para que esse trabalho não pare. Editei o CONTO DE ELLA, e fiz uma publicação (por enquanto), em e-book. O preço na loja brasileira (Amazon / Kindle) ficou em R$ 5,99. Fora o que fica para a Amazon, TODA, ABSOLUTAMENTE TODA E QUALQUER RENDA QUE ENTRE, será destinada à escola, seja dois, três, ou vinte, ou oitenta e-books que sejam vendidos (ou mais, quantos forem).
Vou colocar aqui no blogue os relatórios de venda a cada 30 dias e, assim que algum centavo entrar, passo integralmente para a Escola, sem descontar nenhum imposto, nada, absolutamente nada.
Peço aos amigos que puderem, que deem um clique, percam um tempinho e comprem o e-book.  Abaixo, o link. 
Alguns amigos que acompanham o blogue há tempo, constam nos agradecimentos e eu sei que estou esquecendo muita gente. Conforme eu for lembrando, colocarei a atualização dos agradecimentos (quem já tiver baixado o e-book, recebe a atualização sem custo, evidentemente).
Para quem visita o blogue, tem a capa do e-book exibida nas informações (menu do blogue) no lado direito para quem acessa pelo computador ou iPad. Para quem acessa por telefone, tem de ir até o final da página e clicar em “visualizar versão para a web”, que daí aparecem todas as informações que sempre vou colocando, inclusive o número de vezes que o blogue já foi visitado.
Desde já, agradeço a todos e realmente peço que quem puder, perca alguns minutos, e baixe o e-book! Vai estar ajudando pessoas de verdade e uma ótima causa de “Marajó City”. Uma causa real, cujo dinheiro podem ter certeza que será aplicado de forma maravilhosa pelas Irmãs, como tudo o que elas realizam por lá!
Estou tentando a publicação impressa, mas a loja da Amazon só tem esse serviço fora do Brasil, e o preço ficará em US $ 9,00 (nove dólares americanos), mais toda a despesa de remessa ao Brasil (o que é bem salgado)… mas se alguém realmente quiser, é só entrar em contato comigo, que explico como fazer e, se quiser por meio de mim próprio, escreverei a dedicatória no próprio exemplar que é impresso sob demanda, e levará aproximadamente 40 dias para chegar no destino no Brasil. 
Abaixo tem o link para acessar diretamente o e-book.
E duas fotos de algumas crianças da escola.
Desde já, mil obrigados!







Luís Augusto Menna Barreto

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Bem Ali, Seu Espirro e os Exames

Bem Ali, Seu Espirro e os Exames

— Doutor, vou bem ali.
Não sei se vou conseguir explicar direito: “bem ali” é algo muito misterioso para quem não é nativo. Demorei pra ter alguma noção. É mais ou menos assim: quando alguém diz “vou bem ali” está simplesmente dando a informação que vai sair, não quer dizer onde e não sabe dizer que horas voltará. Aliás, quem é daqui, jamais pergunta “onde?” ou “demoras?”, se a informação é vou “bem ali”.
Mas, naqueles tempos, chegado há pouco tempo no Estado do Pará e menos tempo ainda no Marajó, eu não sabia e cometi a quase heresia:
— "Ali" onde, Goela?
Esse é o momento do “hein?”, mas o “hein" é meu, não do Goela, que estranhou mas respondeu a única resposta que entendeu possível para aquela pergunta despropositada:
— Bem ali!
E foi saindo.
Respirei fundo. Mas eu estava, ainda, descobrindo como funcionava o ritmo da vida por lá. Daí, pra manter a autoridade, quando o Goela já devia estar lá no meio da praça, falei com tom grave na voz: 
— Vai mas não demores!
Dali um pouco, estranhei o silêncio incomum no Fórum. Não que seja um lugar muito movimentado, mas sempre tem alguém conversando no corredor pra fugir do sol da rua, ou mesmo alguma movimentação na praça, mas tudo estava silencioso. Acabei de examinar o último processo que estava na mesa e, lembrando que o Goela havia ido em qualquer lugar que eu não sabia onde era, chamei o Barganha. Nada.
Insisti:
— Bargaaaaaaanha! 
Nada. 
Com alguma irritação e, confesso, curiosidade, levantei e fui procurar alguém. O corredor estava vazio. A sala do Ministerio Público, vazia. Na salinha da distribuição, onde a Tutela recebe as iniciais e, invariavelmente alguma fofoca está sendo contada… nada. 
Daí que olhei pra porta e a D. Boneca, a “faz-tudo” do fórum, veio entrando devagar. 
— D. Boneca, onde tá todo mundo?
— Bebendo o Espirro, doutor. 
Hein?!
Como eu ainda não tinha muita intimidade com a D. Boneca, nem tentei interpretar. Voltei para o gabinete e decidi esperar pelo Goela.
Pouco antes do meio dia, o Fórum começou a ficar com a agitação normal e pude distinguir, entre os barulhos, o Barganha e a Tutela retornando. Em seguida, ouvi a voz, sempre alta e com entonação animada, do Goela.
— Goelaaaaaaa!
— Pois não doutor?
— Qual é dessa história de “beber espirro”?
— Não, doutor, é que o Espirro, aquele senhor que teve aqui outro dia, querendo tirar a certidão de nascimento, levou farelo. Tava todo mundo bebendo o morto, que o enterro tava marcado pra 11 horas.
Eu me lembrava do tal Espirro. Ele apareceu outro dia querendo registro de nascimento que nunca havia sido feito. Nascido e criado numa ilha do outro lado do rio, nunca havia sido registrado:
— Não tem certidão de nascimento até essa altura da vida, seu Espirro? — eu perguntei.
— Nunca precisei, doutor. Mas agora fui atendido pelo doutor no hospital e tenho que fazer um tal exame que nem sei. Mas exame só com documento doutor. 
— Nunca foste em médico antes? Nunca fizeste exame?
— Nunca precisei, doutor. Saúde sempre foi boa, mas agora o mijo tá saindo vermelho.
— E como é seu nome?
— Espirro!
— Não, não pode ser apelido, tem que ser nome. Nome e sobrenome. Como é?
— Ah, veja um aí, doutor. Não faço caso de nome, não. Sou o último dos 12 irmãos, doutor, e a mamãe sempre dizia que foi fácil me parir, que saí como um espirro. Daí, chamam assim pra mim desde gitinho.
Eu lembro que segurei o “hein" e tentei, ainda, pelo nome dos pais.
— Então me diga o nome dos seus pais.
— Pra minha mãe, chamavam de Preta, e pai não tenho não, que sou filho do boto.
Por ali eu desisti. Alguém que não tem nome, imagine descobrir a data do nascimento?
O que sei é que encaminhamos o Seu Espirro para o Ministério Público que fez o pedido com todos os dados (que eu confesso, não questionei muito se eram exatos ou não) e seu Espirro ganhou até nome!
Pois foi então, que Seu Espirro morreu. Comentei com o Goela, quase de forma retórica, e sem esperar resposta:
— Coitado. Os exames não deram bons resultados, então…
Mas o Goela não deixou o assunto morrer:
— Ah, doutor, diz que tava tudo bem. O problema é que o médico viu os exames  e deu duas notícias pro Espirro!
— Que notícias?
— O doutor disse que pelo resultado dos exames, o Espirro ia morrer de velho!
— Mas então, Goela, o que deu de errado?
— A segunda notícia, doutor!
— E qual foi?
— Que o Espirro tava velho!

Por Luís Augusto Menna Barreto


domingo, 20 de maio de 2018

Contículo de Um Milagre

Contículo de Um Milagre

Antes da fama, ele tinha fé. Por algum motivo que ele não soube explicar, lembrara-se disso olhando o desenho de uma lágrima em chamas tatuada na mão, enquanto o avião que levava a banda de rock do momento, da qual ele era o vocalista, voava por entre pesadas nuvens em direção à Capital do Estado do Pará, onde em poucas horas, fariam um show e em seguida rumariam a um festival de Rock na Cidade do Panamá, a 7ª cidade mais competitiva economicamente, da América Latina.
De repente, não muito longe de Belém, o aviso luminoso de apertar o cinto ascendeu e a voz do piloto avisou que enfrentariam uma área de turbulência. Mal deu tempo de o piloto terminar o aviso, o copo de uísque caiu no carpete do jato executivo que há meses era o local onde a banda passava mais tempo. Ele já havia enfrentado turbulências antes, mas aquela, somada às lembranças que rememorara, deixaram-no particularmente apreensivo. Num gesto instintivo, levou a mão ao pescoço, onde durante quase toda a vida usara um escapulário, o qual fora descartado por recomendação do produtor e da diretora de imagem da banda. Com o coração acelerado, o efeito da última carreira cheirada passando e algum álcool na cabeça, tentou lembrar de alguma das orações da infância e não conseguiu. Então, talvez agarrado às lembranças que estava tendo da infância vivida sob a fé ensinada pelos pais, vivida na escola, e na amizade com os Padres da Igreja próxima a sua casa da infância, ele fez uma promessa!
Algum tempo depois, naquele mesmo dia, em uma Igreja de um dos bairros de Belém, a equipe responsável pelas músicas da missa estava, já, reunida no mezanino, acima da entrada cujo único acesso é por meio de uma escada em espiral, que permanece fechada, para que ninguém não autorizado suba. Naquela igreja, a equipe da música não fica aos olhos dos fiéis e, nos momentos de cantar, apenas o som dos instrumentos e vozes dos cantores espalham-se em toda a nave da Igreja.
Pois a equipe, composta de um frade capuchinho que cantava, um leigo de aproximadamente 50 anos que tocava violão e sua filha de 20 anos que tocava um teclado eletrônico, fora surpreendida com um rapaz de capuz, que pedira para cantar as músicas da missa. Enquanto o leigo ficara em silêncio com um ar de interrogação no semblante, o frade cantor aproximou-se e pra explicar que não era permitido subir ao local… mas fora interrompido pela tecladista, que, de olhos vibrantes, pegara no braço do frade e falara-lhe, com alguma empolgação, ao seu ouvido, pedindo que lhe deixasse cantar, e explicando quem seria o rapaz de capuz. Até mesmo o frade já ouvira falar em seu nome. 
— Podem ser estas músicas? — perguntou o rapaz, entregando à equipe um pedaço de papel com uma lista de músicas antigas, mas ainda conhecidas. O frade mostrou-as à equipe e todos concordaram, embora não desse mais sequer tempo de falar com o Padre celebrante para avisa-lo da mudança das músicas.
A igreja não estava lotada naquele domingo à noite, chuvoso, mas havia poucos bancos vazios. Assim que começaram os primeiros acordes, e iniciou-se a marcha de entrada do séquito seguindo a Cruz levada com devoção pelo primeiro dos cinco coroinhas, o Padre estranhou por não ser a música que lhe fora informada, mas reconheceu-a, embora ha muito não mais a ouvisse. Assim que entrou o vocal, quase todos na Igreja repararam. Era diferente. Vibrante. Foi difícil ouvir sem a pele arrepiar, tamanha força e emoção que transbordavam na voz. Alguns mais jovens quase levaram um susto. Poderiam jurar que a voz era a do vocalista daquela banda famosa que nesta noite faria show no Hangar, em Belém! 
Feita a saudação inicial, a benção, e a primeira oração respondida, veio o canto penitencial. Ali, muitos já tinham a certeza de que conheciam aquela voz. E que interpretação! As pessoas na missa parece que podiam sentir lágrimas nos olhos do cantor ao entoar os versos "embora eu me afastasse / e andasse desligado / meu coração cansado / resolveu voltar”.
Nesse momento, contra todas as recomendações, várias cabeças voltavam-se para trás e tentavam olhar o mezanino, embora não fosse possível enxergar quem quer que fosse. 
No canto de glória, a voz por vezes propositadamente grave, porém suave, inundou a Igreja e para desaprovação do Padre celebrante, muitos dos mais jovens sacaram seus celulares e começou uma enxurrada de mensagens de texto e, até mesmo, áudios dos que haviam gravado o final do canto de glória. Só podia ser ele! Muitos dos fiéis eram fãs da banda, não poderiam estar enganados acerca daquela voz! Em poucas horas, a banda tocaria no Hangar! Talvez fosse algo promocional. Era incrível e inacreditável, mas tinha de ser ele, o vocalista de rock mais celebrado do momento! E bem ali, cantando na missa!
Já durante o canto de ofertório, a Igreja começou a ficar lotada. Já não havia nenhum lugar nos bancos e os espaços laterais começavam a ser preenchidos por pessoas em pé, na maioria jovens. O frade cantor teve de descer de modo a evitar que qualquer pessoa vencesse a tentação de subir pela escada em espiral, e postou-no no primeiro degrau da escada, impedindo qualquer acesso, e recomendando silêncio. Mas decidiu que iria fazer uma selfie com o rapaz e pedir que gravasse um “oi" para a irmã adolescente que não seguira os mesmos passos religiosos que ele.
Quando da procissão da comunhão, já era difícil até mesmo entrar na nave da Igreja, nem sentados, nem em pé, nos amplos espaços laterais, cabia mais alguém. Jamais a Igreja estivera cheia assim. As redes sociais estavam inundadas pelos áudios das canções na missa, por imagens do mezanino, sem, contudo, que se pudesse ver o rapaz de capuz que cantava segurando o microfone com as duas mãos, exibindo a mão tatuada com uma lágrima em chamas.
Terminada a procissão da comunhão que, pela quantidade de gente, levara quase quatro vezes o tempo normal, antes que o Padre celebrante levantasse para a benção final, o rapaz começou, à capela, uma canção. E quase todos foram às lágrimas, tamanha dor que a voz transmitia ao cantar os versos finais: “… e, se jamais acreditei / perdoa-me Senhor / Pois hoje eu te encontrei”.
A Igreja inteira, ficou em transe. Poucos olhavam para o altar, a quase totalidade das cabeças voltadas ao mezanino. Os dois músicos, pai e filha foram até o muro do mezanino e foram recebidos por uma avalanche de cliques de fotos e vídeos de celulares e gritos de fãs que esperavam a aparição do rapaz. O Padre celebrante conformou-se em proferir a benção final para um mínimo de pessoas que prestavam atenção, embora jamais a Igreja tenha estado tão cheia. O frade tinha imensa dificuldade de conter as pessoas que se empurravam tentando subir. Havia confusão. 
Quando o frade foi finalmente vencido, quase arrancado dos degraus e os primeiros fãs alcançaram o mezanino, houve decepção. Havia ali, apenas os dois músicos, pai e filha. Estiveram olhando a agitação na nave e, quando se viraram os primeiros fãs da banda já estavam chegando no mezanino. Perguntaram por ele! Onde estava? Todos queriam fotos e vídeos com o astro do Rock.
Não estava lá. Os dois músicos ficaram com uma profunda interrogação? Teria ele saído quando estavam olhando a nave? Mas por onde? Ninguém soube responder. Somente depois de muito tempo, os fãs convenceram-se de que ele não estava mais lá. Restava, então, correr ao Hangar para ver o show, cujos ingressos já se haviam há meses esgotado.
Naquela noite, horas mais tarde, uma multidão gritava impaciente no Hangar, frente ao palco vazio, apenas com os instrumentos da banda, aguardando a entrada que era sempre espetacular. O atraso passava do comum para tais eventos.
Até que um homem sobe ao palco, com um semblante tenso. Ao mesmo tempo, os noticiários espalhavam no mundo a mesma notícia:
“É com profundo pesar que informamos a queda do jato comercial que trazia a banda para Belém. O piloto conseguiu um pouso forçado em uma fazenda, salvando quase todos os passageiros e tripulantes que tiveram apenas ferimentos leves. Infelizmente, houve uma morte. A do vocalista.”

Por Luís Augusto Menna Barreto