segunda-feira, 25 de julho de 2016

diálogos - "... a escritora e o POETA, sobre as águas do Marajó!"



Diálogos:

“Quanta água”, disse a escritora, surpresa com o tamanho do rio naquele pedaço da Amazônia, olhando depois o tronco de madeira onde o menino estave sentando com a menina, quando decidiu atravessar o rio para tentar descobrir onde o olhar da menina perdia-se no outro lado.
Quanto amor”, disse o POETA, ao ver o mesmo rio…
… a escritora suspirou olhando a água, entendendo já, o que o POETA falou em seguida…
… aqui, neste lugar de tantas águas, até o amor pode-se medir pelo tamanho do rio que se atravessa”.

(O diálogo é fictício…! A escritora, o POETA e o rio são reais)

Por Luís Augusto Menna Barreto

domingo, 24 de julho de 2016

pensamentos perdidos - (fragmentos).

Pensamentos Perdidos:

Originalmente  publicado no antigo blog
"Menna Comentários", precursor deste.
Data da postagem original: 17.03.2016.
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O amor não respeita medidas… as metades nunca parecem ter o mesmo tamanho…
Tenho sempre a impressão que a metade que parte, é sempre maior que a metade que fica…

(...)
Se, e somente se
eu pudesse ter você,
então eu faria,
o que ainda não fiz:
Abriria os olhos…
… e seria feliz.
(Fragmento de versos que um personagem nunca conseguiu dizer pra menina;  de outro conto que não terminei, escrito em 1990...)

Por Luís Augusto Menna Barreto


sábado, 23 de julho de 2016

poesia de ver: "... deixando pra trás!"

Poesia de ver:

Originalmente  publicado no antigo blog
"Menna Comentários", precursor deste.
Data da postagem original: 23.03.2016.
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Não, menino…

… não deixes teu castelo… tem tanta sombra na tua frente…

Volta a brincar… … não deixes tudo prá trás… … não vires adulto, menino…

… não abandones as coloridas batalhas da infância… volta… brinca mais um pouco…


… tenho tanto medo que tu sejas eu….


Imagem e texto por Luís Augusto Menna Barreto



sexta-feira, 22 de julho de 2016

crônica - Seu Manoel e o Desaforo

Seu Manoel e o Desaforo

Originalmente  publicado no antigo blog
"Menna Comentários", precursor deste.
Data da postagem original: 15.03.2016.
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Às vezes eu fico pensando e não entendo como pode uma pessoa ir até o cartório de registro civil das pessoas naturais, ou ir só até o "cartório", assim, sem nenhum outro título porque é o único da cidade, e fazer certos estragos quase irremediáveis na vida de um pobre bebê que acaba de nascer.
Normalmente é o pai do recém nascido que faz a bobagem. Pela experiência que os anos me têm dado nos registros públicos, quando tem um nome, digamos, extravagante, pode conferir: foi o pai que escolheu! As mães, normalmente, quando tem que registrar os filhos, porque os pais não querem assumir, os nomes são mais “normais”, mais comuns. Mas os pais…. olha… quanta bobagem que sai! E se o pai está indo registrar a contragosto então, prepare-se! E o pobre bebê carregará para o resto da vida (ou boa parte dela), um nome que lhe causará toda a sorte de constrangimentos.
Umas vezes por maldade, outras por pura ignorância. 
Por maldade, existem vários nomes que bem se vê a criança não ter sido tão esperada pelos pais. Certa vez, no cartório de uma cidadezinha que em preciso toda a semana pegar um barco e viajar quase 4 horas para chegar, partindo de Breves, no arquipélago do Marajó, havia um caboclo revoltado por ter sido surpreendido pela mãe (mãe dele, caboclo) mandando ir registrar uma criança como seu filho, teimava em fazer bobagem com o nome do bebê. O caso do caboclo foi que num final de festa qualquer, enredou-se com uma morena das ilhas próximas. Foi aquilo e nunca mais viu a morena. Dali 10 meses, a morena apareceu na casa do caboclo apresentando o filho. Ele tomou um susto e aconteceu o óbvio: negou que era seu e coisa e tal. Mas a mãe do caboclo, suposta avó da criança, de pronto afeiçoou-se pelo bebe e, para não perder o contato, mandou que o filho fosse imediatamente registrar. Chegando no cartório, tava criando caso. O escrivão não queria registrar de jeito nenhum e a discussão tomou forma, até que fui lá ver o que tava acontecendo, porque estava atrapalhando a audiência que eu realizava na sala ao lado.
“Ele não quer registrar, doutor!” Disse o caboclo assim que eu apareci.
“Bom dia pro senhor também!” É assim que sempre chego, quando alguém tá nervoso e me conta o problema antes de me cumprimentar! “Agora conte o que tá acontecendo”.
“… ‘dia, doutor. Ele não quer registrar.”
O escrivão, com cara de quem estava fazendo esforço para manter a calma, tentou explicar:
“Não é bem assim, doutor. Claro que eu registro, mas tô explicando que esse nome não pode…”
“É Eva!” dizia o caboclo já quase gritando. “Eva não pode? A Bíblia tá errada? Quero Eva, que nem a Bíblia! É Eva, doutor!”
Não deu nem tempo de imaginar alguma coisa e o escrivão atalhou:
“Gina”.
“Hein?” Esse fui eu. 
“O segundo nome que ele quer é ‘Gina’, doutor. Aí não dá, né!"
Cá entre nós, o escrivão estava certo. O caboclo tentou argumentar. Mas mandei que voltasse com a mãe da criança e disse que registraria, se a mãe concordasse (eu confesso que me arrisquei, e estava torcendo para a mãe não concordar!).
O resultado é que hoje, quatro anos depois, já vi a pequena Eva correndo em frente ao forum. Ficou mesmo Eva. Mas só Eva. O problema é o mal acabado do pai da criança que, quando vê a menina, só chama de “Gina”! Ô caboclo teimoso!
Mas, com eu dizia, tem nomes que acabam constrangedores, por ignorância de quem registra. Certa feita eu estava na sala de espera em uma clínica e, quando faltava apenas mais três pessoas (uma mãe com uma criança de uns 6 anos e eu), a enfermeira postou-se na porta, leu algo na ficha, estreitou os olhos, leu de novo, pareceu ensaiar mentalmente, forçou uma expressão séria e disse:
“Letísgo”. Eu não sei exatamente como estava escrito, mas o som saiu assim como escrevi, palavra paroxítona, com a sílaba tônica no “tis" do “Letísgo”.
Ninguém se mexeu.  
“Letísgo”, repetiu a enfermeira. 
Ninguém se mexeu… Tá, eu me mexi, já torcendo pra não acabar mal aquilo, porque achei que a mãe da criança estava ficando vermelha.
Na terceira vez que a enfermeira foi chamar, a mãe da criança levanta com esta pela mão:
“Não é Letísgo, sua ignorante… é “Lé-tis-go”. O som saiu assim como coloquei!
Anos mais tarde, eu encontrei mais um “Letisgo" em uma audiência e delicadamente tentei perguntar a origem do nome. Depois de explicado pareceu óbvio: contou-me que o pai, tendo visto alguns filmes em inglês e sem dublagem, achou lindo quando uma loira levantou-se e disse para o mocinho do filme: “let's go” (“vamos", em português) e o mocinho do filme levantou-se e foi. Achou que "let’s go” era o nome do personagem. O escrivão deu uma concertada (isso mesmo, concertada com “c”, deu uma harmonizada no nome) e ficou: Letisgo!
Mas tem também o caso dos nomes que não são nem constrangedores, nem engraçados, registrados sem qualquer maldade e que causam alguns probleminhas ou pedem explicações. O meu por exemplo: Luís. Tenho sempre que ficar explicando se é com “s” ou “z”. Se tem acento no “i" ou não.
Pois com seu Manoel deu-se o caso. Ele já não era uma pessoa de trato fácil. E já tinha desde sempre, pronta a resposta para dúvidas de seu sobrenome. 
Aconteceu de um dia, seu Manoel ir até o Juizado Especial e ajuizar uma reclamação. Pense em um cidadão mal humorado! Há quem diga, na família de seu Manoel que nem lembra a última vez que viu o sorriso dele. Cara de brabo mesmo, daqueles que a gente não se atreve a contrariar. A servidora que o atendeu foi o tempo inteiro muito atenciosa. Ao final, sem qualquer maldade, depois de colocar por termo a história do caso que seu Manoel queria discutir em juízo, perguntou o nome para que, ao final, em cima de seu nome, seu Manoel assinasse:
“Manoel de Sousa”, respondeu, mantendo a cara de poucos amigos. 
“Sousa ’s’ ou com ‘z’, seu Manoel"?
“Claro que é com “s”, né minha filha! Se fosse com ‘z’ seria Zousa”!
Os outros dois servidores se olharam. Ficou tudo em silêncio e ninguém se atreveu a dizer uma palavra sequer. Seu Manoel tinha cara de MUITO brabo!
Ao final, seu Manoel até que agradeceu:
“Obrigado. Como é seu nome, caso eu precise ver como anda o processo?”
“… é… ãhn, para ver o processo… é com eles ali, seu Manoel, E qualquer um pode lhe atender para ver o processo. Boa tarde.” E foi saindo. 
… 
Não é que a servidora tenha ficado ofendida. Longe disso. O problema é que o nome dela era “Zandra”. Assim, com “Z”! Já pensou se seu Manoel acha que é desaforo?


Por Luís Augusto Menna Barreto

quinta-feira, 21 de julho de 2016

quarta-feira, 20 de julho de 2016

poesia de ver - "...bailarinas!"

Poesia de ver:


"Deixa eu ficar mais um pouco..."  disse a menininha para a sua mãe.
"Filha, a mamãe tem compromisso e vai chegar atrasada, vamos!"
"Deixa eu ver as bailarinas dançarem, mamãe!"
"Essas flores não podem dançar, filha! Estão presas! Vamos!"
"São BAILARINAS, mamãe. E elas dançam, olha!"
... e soprou a brisa...
A mãe estava atrasada... mas sentou na grama, ao lado da filha.
"Tem razão, filha... elas dançam..."
E aquela mãe, perdeu o compromisso... mas plantou sonhos no coração da menina...!

Texo por Luís Augusto Menna Barreto
Imagem por Ane Matsuura @annematsuura1

terça-feira, 19 de julho de 2016

crônica - Máicou Diéquisson, Fotochópi, Seu Dunga e o Cadeado

Máicou Diéquisson, Fotochópi, Seu Dunga e o Cadeado

“Não sou filho de chocadeira, doutor!” Disse, e franziu a testa.
“Hein?”
“Só tenho um pai e o nome dele é Ioséfi”.
Não entendi nada. Revisei mentalmente se eu o havia destratado ou ofendido, e não consegui achar nada pra isso. Continuei, meio desconfiado, confesso:
“Nome da mãe?”
Ele olhou pro lado, onde estava sentada a mãe, que estava com cara de poucos amigos e perguntou:
“Como é o nome da senhora, mãe?”
“Hein?” Meu “hein" não deixou que a senhora falasse. "Mas tu não sabes o nome da tua mãe?”
“Olha, doutor, chamam pra ela de Catá.” (“Chamam pra ela" é uma expressão corrente aqui no Marajó que é a forma como dizem “chamam-na de…”!).
Aquilo me surpreendeu. O caboclo não sabia o nome da mãe! 
A história é a seguinte: o “Fotochópi” foi preso em flagrante delito, segundo o auto de flagrante, porque havia furtado dois cordões de ouro da joalheria. Havia entrado pelo telhado da lojinha de chaves e fechaduras do “Cadeado" e, dali, passou pra joalheria por dentro mesmo. Vou explicar: primeiro, estamos no Marajó! A “joalheria" é um “box" de dois metros de frente por dois de fundos, como todos os dez box feitos pela prefeitura e que abrigam todo o tipo de serviço, como uma pequena feira. Ficam cinco box virados para cada lado e eles foram construídos como se fossem o canteiro central da rua, havendo uma parte da avenida para cada lado, onde passariam carros se houvesse algo mais do que o caminhão do lixo e a ambulância dirigida pelo Manobra. Tá bom: motos, essas tem muitas! 
Enfim!, cada box tem uma pequena ligação entre eles, como se fosse a metade de baixo de uma porta. Não, não me pergunte por quê isso, porque não faço ideia. Quando eu descobrir, eu conto. Daí, que a loja de chaves do Cadeado fica ao lado da joalheria! Bem, "joalheria" é como é chamado o box. Sei que o Seu Dunga (o apelido não é pelo futebol, mas sim pelo anãozinho do conto da Branca de Neve mesmo, que era minerador; porque o Dunga tem a joalheria, é baixinho e tem uma namorada bem alta… a Branca de Neve! … e há quem diga que existam outros “anões” que dividiriam essa Branca de Neve Marajoara… Mas isso é outra história!).
Pois diz que o Fotochópi achou de entrar pelo telhado da loja do Cadeado, arrombou a porta que liga à joalheria e pegou dois cordões de ouro. Segundo o delegado, o Fotochópi foi preso em fuga e, dos dois cordões, um apenas foi recuperado!
Mas esse caso marcou-me porque foi cheio de peculiaridades. Como estava tudo muito tranqüilo e só havia uma audiência marcada para aquela manhã, um caso de separação a ser julgado, da Jussemira Antônia com o Deitado, determinei que trouxessem o preso para encaminhar logo o caso. 
O Fechadura, que cuida da delegacia, trouxe o preso e explicou que o flagrante ainda não tava pronto, porque faltou tinta na impressora e estavam atrás de alguém pra carregar o cartucho. Daí que foi o Fechadura que me contou o caso:
“Olha, doutor, a PM (policiais militares) disse que o Fotochópi entrou na joalheria e pegou dois cordões. Mas só entregaram um. Disseram que o outro ele jogou no mato na fuga.”
“E esse Fotochópi aí? É nó cego?” Fui logo perguntando, porque eu ainda era relativamente novo na cidade e o Fechadura foi nascido e criado na beira do rio, ali mesmo no Marajó.
“Não doutor. Diz que só rouba quando arruma namorada. Quer dar presente, mas é liso, então apronta umas”, explicou-me o fechadura. Foi daí que comecei a interrogar o caboclo.
Mas já no nome eu me surpreendi: 
“Nome?”
“Máicou Diéquisson”.
Olhei para o Goela, o meirinho, e ele só levantou os ombros e colocou a cabeça pro lado na universal expressão “pois é, fazer o quê?!”
Terminada a primeira parte do interrogatório, que é a qualificação, fui perguntar sobre o crime e o flagrante.
“E aí, Fotochópi?”
“Entrei na joalheria, doutor, mas não foi flagrante. Eles me pegaram dormindo.”
“Hein? Mas aqui diz que foste pego fugindo!”
“Mentira, doutor! Botaram aí no flagrante porque entrei pela loja do pai do Fechadura. Ele que foi lá em casa e me pegou. Eu tava até na rede, dormindo, doutor”
Claro… tudo começava a fazer sentido: o Cadeado era pai do Fechadura, teve a loja de chaves arrombada e o Fechadura foi atrás pra pegar o larápio!
Como eu havia dito, o caso era cheio de peculiaridades.
Vou tentar resumir:
Descobri que o apelido "Fotochópi" era porque o Máicou não era nem de longe parecido com o Michael Jackson. E um dia, no time de futebol, quando ele disse o nome, alguém gritou: “só se tu és um fotoshop mal feito do Michael Jackson”. Pronto, pegou: na hora, virou “Fotochópi do Michael Jackson", depois reduzido pra "Fotochópi", e, dizem, os mais íntimos chamam-no de "Foto"!.
Acabei soltando o Fotochópi, nascido Máicou Diéquisson Pereira… afinal, o flagrante não foi flagrante… e era dia 25 de junho de 2009! Adivinha o astro famoso que morreu nesse dia? 
Ante de soltar, não me aguentei e perguntei: 
“Fotochópi, porque tu ficaste brabo comigo no interrogatório?”
“Porque eu sou ladrão, mas tenho família e minha mãe é direita, doutor.”
“Mas como eu ofendi tua família?”, perguntei.
"Ora, doutor. O senhor perguntou o nome dos meus pais. Só tenho um pai, doutor."
“Baaahh…”
Dias depois, chegou um procedimento de violência domestica: o Seu Dunga bateu na Branca de Neve. Ela, que não é lá tão antenada nas coisas, apareceu, justo para o Seu Dunga, com o outro cordão que o Fotochópi havia furtado da joalheria e não haviam achado… 


Por Luís Augusto Menna Barreto


segunda-feira, 18 de julho de 2016

diálogos - "... saudades do não vivido!"

Diálogos:

Originalmente  publicado no antigo blog
"Menna Comentários", precursor deste.
Data da postagem original: 21.03.2016.
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“É estranho… quando estava longe de ti senti saudades…”

“Não há nada de estranho nisso" ela respondeu.

“… mas agora que estou perto, sinto mais saudade ainda.”

Ela riu!

“Que bobo. Quando a gente tá perto, mata a saudade, não a alimenta!”

"Não é isso. Sinto saudade do que não aconteceu… e eu acabei vivendo tudo sozinho, no meu coração, por nós dois…”


Por Luís Augusto Menna Barreto




domingo, 17 de julho de 2016

pensamentos perdidos - O CIRCO - parte 12 de 13 - ÚLTIMO NÚMERO

Pensamentos Perdidos:

Epílogo

Último número
Aos 50 anos, ainda repetia suas apresentações solitárias ao ar livre com a certeza de que estaria sendo observado por uma mulher que sorri.
Em uma dessas noites, distante 30 metros da imensa lona, sentiu um clarão a iluminar seu picadeiro ao relento. Pode ouvir murmúrios e gritos. Sentiu seu coração queimar e brilhou como nunca! Parecia poder ouvir os gritos da mulher que o fez homem além de palhaço. Um calor imenso chegava ao seu corpo fazendo-o suar. Cada vez mais o clarão iluminava-o e ele se empenhou em suas piadas como jamais fizera. Lembrou de todas as caretas que havia feito desde o tempo em que não partia com o circo e, antes, ficava esperando sua volta. Em meio àquele delírio, pela primeira vez sentiu a dor que consumia seu coração. Lembrou de cada palavra de um poema escrito há muito tempo e percebeu que havia passado a vida a buscar na platéia o riso que não achava na própria alma. Podendo sentir o riso que vinha da maior estrela, notou que conservava jovem em seus sentimentos tão apagados, o sorriso amado por ele um dia... e reviu-se pulando e fazendo piruetas como há muitos anos. Permitiu-se ser amado, mas jamais abandonou a fidelidade do seu coração ao único amor que sentira. Olhou a imensidão do céu procurando uma estrela grande e assustou-se... seu mundo nunca havia sido maior que um picadeiro.
Após poucos minutos, o palhaço deixou cair os ombros e baixou a cabeça: o clarão havia-se apagado. A trinta metros dali, havia fumaça e cinzas de um fogo que rapidamente consumiu o que foi sua vida!
Os murmúrios eram muito diferentes dos risos que sempre o ovacionaram.
Uma menina de 10 anos correu assustada para um palhaço que era seu pai e sequer sabia estender seus braços. Olhou longamente a filha, sem levantar a cabeça e entendeu que jamais seria jovem novamente para fazer malabarismos para uma menina cujo sorriso é amado por ele. Quis esconder-se do tempo conservando igual o riso da platéia ao longo dos anos, mas fracassou...
Olhou o céu e percebeu que teve a chance de amar a mulher que o assistia através do brilho das estrelas... ... e, finalmente, lembrou-se de amá-la.
Com calma e vagar, pegou três laranjas em seu bolso. Abriu um largo sorriso e jogou-as para o alto. Quis, de todo o coração, fazê-la sorrir.
Enfim... era um palhaço!

Por Luís Augusto Menna Barreto















sábado, 16 de julho de 2016

poesia de ver - "...abracadabra!"

Poesia de ver:



Ele tinha uma toalha amarrada no pescoço… 
… e eu nem notei que era uma capa de mágico!
Ele disse: “ABRACADABRA”!…
… e, fez aparecer em mim, um sorriso onde antes não havia!

Vês? A magia EXISTE!

Imagem e texto por Luís Augusto Menna Barreto


sexta-feira, 15 de julho de 2016

crônica - Os Casos da Tonha, do Botóquis e da D. Mocinha

Os Casos da Tonha, do Botóquis e da D. Mocinha

Originalmente  publicado no antigo blog
"Menna Comentários", precursor deste.
Data da postagem original: 10.03.2016.
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Incrível como o Marajó fez ter histórias pra contar!
Estas aconteceram no Juizado Especial Criminal em Breves, no Marajó. Toda a quarta-feira tinha audiência criminal no juizado, que trata dos delitos de menor potencial ofensivo, como brigas sem maiores conseqüências, desacatos, e ameaças. Pois é, ameaças. Essas acontecem muito.
Só que ameaça pra ser ameaça, tem que meter medo no ameaçado. Não adianta ser aquela coisa de “tu vai ver só”, em que nem mesmo quem fala acredita que o ameaçado vá ver alguma coisa que lhe meta medo.
Foi o caso da Tonha com a Augustinha. 
Tonha era uma mulher grande. Não era apenas gorda. Era grande! E tinha cara de braba. Já a Augustinha era chamada assim, no diminutivo porque era uma mulher pequena, franzina. Vi que o caso era ameaça, e, assim que as duas sentaram uma em cada lado da mesa, fui logo falando pra Tonha:
“O que houve, D. Tonha, que a senhora andou proferindo ameaças?”
“Não ameacei ninguém, não doutor. Foi ela (e apontou com o beiço para Augustinha) que me ameaçou encher de porrada”.
“Hein?"
“Pois não foi, doutor? Ela me disse que se me pegar olhando pro marido dela de novo, vou pegar muita porrada.”
Augustinha quieta, não falava nada. Ficava ali, olhando pra mesa, com uma expressão de “isso nem é comigo”.
Perguntei pra Tonha:
“E a senhora está com medo de que lhe aconteça alguma coisa?”
“Mas doutor! E isso aí (apontou com o beiço pra Augustinha) vai bater em alguém?! Medo nada! Tô é com pena dessa infeliz!”
Ora, ali mesmo, encerrei o processo, porque sem impor temor de algum mal injusto, não se caracteriza ameaça!
Mas nem todo o caso era assim. Algumas vezes encontrei uns que eram bons de ameaça! Por exemplo, o “Botóquis” (estava escrito assim o apelido no Termo Circunstanciado). O Botóquis era o tipo de sujeito que não levava desaforo pra casa. E, pra ele, um outro homem qualquer dançar com alguma moça que tinha recusado dançar com ele na festa, era um desaforo grande. E como o Botóquis tava muito longe de ser um deus grego, era fácil ser recusado. Daí que o pessoal, quando via que o Botóquis tava na festa, cuidava pra ver com que mulher ele ia falar. Por via das dúvidas, se a mulher chegou perto do Botóquis e saiu, mesmo que pra ir no banheiro, nenhum homem mais falava com a pobre moça... Mas tinha sempre um desavisado qualquer, que não sabia da história ou que ja tinha bebido o tanto necessário pra não lembrar mais com quem o Botóquis tinha tentado falar e levou o fora! Daí, coitado do caboclo! Se o Botóquis pegava o cara, batia. Mas batia muuuuuito! Veio daí o apelido: diz que depois de uma surra do Botóquis, o caboclo somente ficava com a cara desamassada com muito botox! Se o caboclo via o Botóquis olhando meio que por baixo da aba do boné que usava, tava marcado! Só aquele olhar, já era uma ameaça. E ninguém nem cogitava em não ficar com medo!
Outra que era boa de ameaça era D. Mocinha, que de mocinha não tinha nada.
Pois assim foi o caso! Feito o pregão, entrou como autora do fato (quem fez a ameaça), D. Mocinha! (“Mocinha” era o primeiro nome MESMO daquela senhora). Eu me assustei quando vi. Acho que nunca tinha visto um rosto tão enrugado! Entrou com passo firme, o que estranhei, porque pelo rosto tão enrugado e meio curvada pra frente, pensei que tivesse já beirando os 70 anos. A vítima era uma mulher nova em relação a ela, aparentava ter uns 40 anos, um pouco mais um pouco menos.
O caso era de ameaça! D. Mocinha havia ameaçado a vítima. A história era que D. Mocinha tinha uma pequena fruteira e empregava seu neto, a quem D. Mocinha prometera fazer Padre. Daí, quando ia alguma mulher na fruteira, e demorava mais que um instante falando com o neto, D. Mocinha já achava que era o diabo em forma de mulher querendo desencaminhar o neto. Pegava uma faca comprida e saía correndo atrás da dita cuja e ameaçando furar. Dizem que em Breves tem umas três ou quatro com furos de D. Mocinha. Mas aquela era a primeira vez que alguma teve coragem de comunicar na delegacia.
Pois aquela vítima que estava ali era mais uma entre tantas que dizem que D. Mocinha ameaçava. Confesso que olhando para aquela criatura pequenina e já com o peso de tantos anos nas costas, estava torcendo para não ser verdade; ou para que houvesse uma proposta leve do Ministério Público que D. Mocinha acatasse e se visse livre. Perguntei:
“Mas a senhora ameaçou mesmo a vítima, D. Mocinha?” E torci para que ela negasse e a vítima, dadas às circunstâncias, fosse no mesmo caminho. Mas que nada!
“Ameacei não, doutor! Não foi ameaça. Foi PROMESSA! Vou furar essa rapariga que quer desencaminhar meu neto santo”.
O resultado é que não houve jeito! Não teve entendimento e nem D. Mocinha aceitou nada do que propôs o Ministério Público, por mais brando que fosse! Daí falei:
“Mas D. Mocinha, a essa altura da sua vida, a senhora ainda vai querer se incomodar com um processo? Por que não aceita a proposta do Ministério Público?”
“Não sou mulher de aceitar favor, doutor. Vivi até aqui, com o suor do meu trabalho!
Pois é. Mas eu tava curioso pra saber a idade daquela coleção de rugas que D. Mocinha trazia na pele. Para matar minha curiosidade, pedi a célula de identidade de D. Mocinha, que logo pegou uma sacola plástica toda enroladinha e de dentro tirou a célula e estendeu-me! Não consegui disfarçar o susto:
“Mas a senhora tem 51 anos, D. Mocinha?” Exclamei!
“Pois é doutor. Sei que não parece.”
Até hoje eu agradeço por nesse momento ter falado apenas: 
“… é…” 
Porque D. Mocinha arrematou:
“Mas isso é porque me cuido, doutor, não sou como essas raparigas de hoje que experimentam tudo que é porcaria e se estragam cedo!”
… 
Acho que na hora pensei: será que o Botóquis já tinha batido na D. Mocinha?!


Por Luís Augusto Menna Barreto