domingo, 23 de outubro de 2016

pensamentos perdidos - AS FLORES - parte 12 de 15

Pensamentos Perdidos - AS FLORES - parte 12 de 15

Lembranças de Henrique
O vento deixou-me confuso, Verônica. Eu lembro que não conseguia nem ao menos pensar e não sei quando foi a última vez que tentei avistar a árvore onde eu havia deixado as bolitas.
Eu olhei para todos os lados e só vi plantas sendo levadas por aquele vento incrível que nos lançava em uma direção da qual não havia mais como fugir. O vento jogou-me ao teu lado e, de repente, levou minha mão ao teu corpo. Estávamos entregues àquela força enorme que nos empurrava e fazia com que eu não conseguisse mais me separar de ti, mesmo com todas as minhas tentativas de resistência. O sol brilhou mais uma vez e vi somente uma sombra no chão. Eu te senti envolta em meus braços e, então, percebi todo o teu corpo. Senti-me estranho… Algo ardia dentro de mim no meio daquele vendaval que nos mantinha unidos. Lembro de sentir teu corpo, lembro de um vento quente que fazia brotar gotas de suor em teu peito, de uma sede sufocante que fazia com que eu procurasse cada gota com meus lábios e, depois, levasse até os teus, para que também tu saciasses a tua sede. Senti uma vontade enorme de alcançar alguma coisa que eu não sabia o que era, lembro de ter gemido de uma dor que não era dor, de escutar teus suspiros na mesma ânsia que me consumia em meio à confusão do mundo ao nosso redor, entregue, como nós, ao vendaval que revelava e escondia e indicava o único caminho que existe…
Éramos, Vanessa, apenas uma folha que o vento indicava o rumo. Acreditei, então, que a vida era bela e, ao mesmo tempo, compreendi que a morte deveria ser em um momento assim para que uma vida inteira não perdesse o sentido nos últimos minutos em que, creio eu, pensamos se algo valeu a pena… A morte em um momento assim, certamente distanciar-me-ia da covardia que me faz duvidar que a lágrima por algo de bom ter acabado seja mais difícil do que o sorriso por algo de bom ter acontecido…
Então, gritei. E ouvi teu grito também… E lembro que a última coisa que vi em meio ao espetacular tufão, foi teu sorriso dizendo algo que não entendi naquele instante. Depois, lembro apenas dos sonhos de meu adormecer. 
Estão vivas, porém, em minha memória, as imagens de meu despertar solitário. A imagem das folhas espalhadas no chão. Mortas, inertes, sem o brilho de vida que o vendaval havia concedido. Folhas como eu, só, sem saber o que fazer. Sem saber onde estava. Folhas que ficaram a escutar o silêncio de um mundo… à espera de um novo rumo… à espera de um novo vendaval…
Por Luís Augusto Menna Barreto



















14 comentários:

  1. Respostas
    1. Como são todos os ventos do amor...
      Aqui é a mesma cena anterior, desta vez na visão de Henrique!!

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  2. Henrique não é brincadeira, hein?!!
    Duas vezes assim... Moleque potente!

    Méri, tu estás me apresentando cada cena erótica...!!! Depois diz que eu é que gosto de textos apimentados, né?!

    Aliás, bonita página, escritor! Uma transa poetizada. Linda, mesmo! E não tem nada demais. É que o corpo da gente foi criado, também, para fazer amor. A sexualidade é um dos NOSSOS SENTIDOS.

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    1. Bah!!!! Fiquei vermelho!!!
      Mas não são dia vezes de Henrique! É a mesma cena! Antes, descrita por ela! Nesta, descrita por ele!

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    2. Achei lindinho esse seu lado tímido poeta, instigado pela escritora Ana rsrsrs. Legal a descrição de ambas as partes da mesma história.

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  3. Linda demais...mas no final o abandono me entristece...

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    1. Obrigado, Tel...
      .... mas esperemos pelas últimas partes...! Vejamos o que haverá....!!

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  4. Bom dia Menna, o vento o deixou tão confuso e a mim também, rsrs É Verônica ou vanessa? Descu^lpe meu atrevimento em perguntar e minha ignorância em não conseguir entender este detalhe Menna!

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    1. Acho que são muitas... ou nenhuma... ou uma apenas e ele nem sabe...
      ... veja... se notares, os nomes das meninas não se repetem....
      acho que em breve, poderemos entender....!

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    2. Menna, eu não havia lido o início. Agora entendi! Obrigada, linda esta busca que relata. Ótimo domingo.

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    1. Acho que sempre há.... às vezes, só o notamos quando está forte o bastante para não conseguirmos evitá-lo...!

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  6. Lindo! 👏👏👏. Simplesmente lindo!!! Não sei se riu, ou se choro. Profundo. Hummm...

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    1. ... por que não os DOIS...?
      Obrigado, Margarida!

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