Primeiro, a gente passa a fieira na parte de cima, faz a volta no cabo minúsculo na parte de cima e desce a fieira na vertical, passando pela parte mais larga e acompanhando toda a lateral de madeira até a ponta feita de prego, porque bom é com ponta de prego! Então, circula a ponta de prego com a fieira e começa a enrolar bem apertado de baixo pra cima, da parte mais fina até a parte larga, de modo que praticamente seis quintos do corpo de madeira fica enrolado pela fieira. O segredo tá em não deixar nenhuma folga, dando voltas com a fieira até ficar um pedaço bem pequeno de fieira solta. Esse pedaço pequeno, a gente segura com minguinho e o seu vizinho (os dedos mínimo e anelar). Daí, segura ele de cabeça pra baixo e coloca o fura-bolo (indicador) na ponta do prego, e o mata-piolho (polegar) no cabo… concentração… daí atira com força, num ângulo de pouco mais de 45º… sem deixar a fieira escapar dos dedos… ele se vai desenrolando da fieira em um milésimo de segundo, e a dica é que antes da fieira se desprender totalmente, a gente dá um último puxão, que é bem no instante em que ele faz o movimento de ficar com a ponta de prego pra baixo! Fica aquele momento tenso… ele quase raspa o corpo no chão, girando em um círculo grande… depois menor… menor… vai ficando mais vertical… e então, em um segundo, está ali, girando com a velocidade do mundo, da pressa da imaginação de criança… girando retinho no chão quase sem vibrar para lado nenhum, como se estivesse parado e fincado no chão. E é nesse momento, em que a gente coloca as “costas" da mão no chão, abre os dedos fura-bolo e pai-de-todos (médio) vai aproximando por baixo a mão, até que a ponta de prego girando como se fosse uma broca em uma furadeira está quase tocando nossa mão onde as falanges unem-se com a palma e, num movimento rápido, brusco, de “tesoura”, fechamos os dedos e vem o momento da apoteose: o pião gira bem na palma da nossa mão e nós a vamos erguendo para mostrar a todos os olhos curiosos em meio às interjeições de “óóóóhh”. Saboreamos o momento em que dominamos o pião, e o exibimos literalmente na palma de nossa mão, ainda girando sem qualquer vibração ou indicação de que perderá a rotação.
Para finalizar o espetáculo, trazemos a mão espalmada onde o pião gira, para a linha de nossa cintura e, num movimento quase inesperado para os incautos, lançamos o pião, ainda girando, para o ar, de modo que ele sobe acima de nossa mão, mais ou menos na altura do queixo, e aterrissa no solo, ainda impávido, ainda altivo, ainda girando.
Então, depois de o pião portar-se exatamente como pretendíamos, nós não o permitimos que tenha um final indigno, e, antes que perca a força, em um movimento rápido e preciso, nós o pegamos de uma vez só, ainda girando, de modo a que descanse ao abrigo de nossa mão, até que, convencido por quem viu o espetáculo, nós o repitamos explicando como se faz.
Eu joguei esse pião no domingo, antes de ontem, frente aos olhos curiosos e maravilhados do meu pequeno João! Ouvi sua expressão de “óóóóhh”.
Tem coisas, que parece que foram ontem… outras, foram!
Luís Augusto Menna Barreto, em 26 de fevereiro de 2019
Que legal!!! Eu conhecia esse pião.Nunca joguei. Mas o pião da minha época era de lata colorida, grande. A gente fazia um movimento na haste de cima para dar velocidade e os furos faziam o ar vibrar num uhhhhhh como vento. Eu, ainda bem pequena, tinha medo do pião, que era das minhas irmãs. O seu exigia habilidade. Minha filha brincou de ioiô.
ResponderExcluirIoiô... teve um tempo que a Coca-Cola (ou era a Pepsi?) fizeram promoção e a gente juntava tampinhas e mais uns trocados e conseguia um ioiô bem profissional... hoje eles dão códigos de barra em latinhas para a gente ir para algum aplicativo em que ficaremos escravos do algoritmo... (minha luta contra o algoritmo... por isso uma newsletter: não depende do algoritmo entregar, a newsletter entrega diretamente para quem quer!).
ExcluirE tinha pipa (pandorga, papagaio - tantos nomes), e tinha latas de Nescau, que furávamos com pregos, colocávamos areia, uma corda e viravam carrinhos... e. tinha o pedaço de pote de iogurte preso com prendedor de roupa, no "garfo" da roda da bicicleta, para ir batendo nos raios e fazendo um "tlec-tlec" delicioso... e tinha cirandas... e cordas que pulávamos... e pneus, e velas... e potes de desodorante que eram de "expremer" (quem aí lembra do "Avanço") e viravam pistolas de água no verão...
Admirava essa brincadeira de jogar e fazer o pião rodar, que habilidade em pegar na palma da mão, até passar pra outra mão e ainda continuar girando.
ResponderExcluirNé, Nice...? Eu tinha pena de deixar o pião perder a força... não gostava de ver ele caindo. Parecia pessoa desmaiando. Gostava de ver girar. Quando ele começava a perder força, eu pegava. Mas tinha vezes que era inevitável, porque uma das brincadeiras era traçar o círculo na calçada (que a gente traçava com pedaços de pedra que funcionavam como "giz" na calçada) e todos jogávamos piões em uma batalha para ver o último que ficava em pé girando. (depois disso, com o João, brinquei de "Bay-Blade", que não deixa de ser um pião moderninho, mais ao menos não tem tela... rsrsrsr)...
ExcluirOlhávamos amigos nos olhos, víamos as unhas sujas de terra, os joelhos ralados... medíamos cicatrizes e arrancávamos a "casquinha" do machucado, depois de um dia de mertiolate colocado sem pena pela mãe, que pintava nosso machucado de vermelho!
Gosto de lembrar... nem quero fazer a defesa de que naquele tempo que era bom... acho que todos nós somos legítimos a achar que o nosso tempo tenha sido o melhor... apenas quero dizer que ter tido aquele tempo para ser criança, foi bom! Sem comparações.
Aquela foi minha infância, e foi boa. E eu desejo de todo o coração, que as crianças de hoje, tenham o mesmo sentimento daqui 40 anos... que possam dizer que foi bom, com a realidade que deixamos para eles.
No fim, penso que as crianças de hoje, não tem culpa pelos celulares e iPads e vídeo-games que lhe roubam boa parte do tempo e da vivacidade de ser arteiros.. a culpa é NOSSA... MINHA... da minha geração, que preparou esse mundo torto para eles.
Se achamos tão bom como era antes, porque não fizemos repetir o mundo...?
E tinha o telefone sem fio tb com latinhas e saía cada besteira. Eu brinquei com meus filhos disso tb. Eu não tenho netos dessa geração, aliás tenho netos de 4 patas apenas. Não sei como agiria hoje em dia. Meus filhos tiveram uma mãe carinhosa, mas com autoridade; hoje sou uma adulta doce, mas com atitude. No meu canal do Youtube falo sobre isso. Algumas dicas de mãe.
ResponderExcluirSim!!! E tinha o telefone COM FIO… duas latas ou potes de iogurte unidos com um fio!!
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