Não que ela esperasse algo diferente. Mas a mensagem a Francisco ainda ecoava no vazio.
Bravo estava limpo. Alimentado. As feridas tratadas.
A mãe desejava permanecer ali, velando o sono do filho. A vendedora de batatinhas sentia falta da calçada. A provedora de si própria necessitava trabalhar.
Com tempestade ou nos dias de sol escaldante, Dora nunca deixava de ir. E quando chegou com o carrinho, ainda que estivesse ausente um dia apenas, a sensação era a de que esteve longe e precisava atualizar-se.
Viu Nazaré chegar e abrir a banca de revistas. Depois foi até Dora.
— Bravo?
— Sim…
— Francisco?
— Não. — o “não” foi seco. Como quem encerra o assunto.
Nazaré permitiu um instante de silêncio.
Então falou:
— Socorro está na UPA.
— O de sempre? — Ela se referia à bebida.
— Não. Facada. No meio da tarde de ontem. Disputa com o Virado pela cachaça. Ele foi preso.
— Como ela está?
— Não sei. No almoço vou lá.
Socorro na UPA. A menina do suco aguardava o resultado do ENEM no radinho de pilha.
Passaram conhecidos e desconhecidos. Batatinhas. Conselhos. Conversas.
O universo em movimento. A calçada continuava viva.
Com as esperanças.
Com as dores.
Com as Doras.
Luís Augusto Menna Barreto
23.03.2026


Sim, a vida continua, com as dores e esperanças. Qdo olhamos pra alguém na rua não imaginamos a vida que leva. Há quem sempre sorri (e não demonstra), há a que ri feliz de verdade, há a que chora e visivelmente se sente perdida e há a que sente dor física, onde diz que esbarrou no armário da cozinha - olho roxo. Minha filha morou num prédio cuja janela dava para uma rua principal e outros prédios. Eu gostava de olhar a rua (sempre gostei) ver os carros, os ônibus, e observar os prédios. Fiquei curiosa com uma mulher que ficou no celular à janela e falava muito, quase não parava para ouvir a outra. Imaginei fofoca das boas. E as pessoas na rua passavam gesticulando ao telefone. Sempre pensava o que estariam falando? E criava na minha cabeça, histórias sobre elas. Só uma vez cruzei com uma moça chorando; não pude seguir sem me colocar à sua frente de dizer: menina, vai passar, vc é forte. Ela me olhou assustada, nada disse, mas tenho certeza de que fiz alguma coisa, um apoio.
ResponderExcluirA ideia desse capítulo é justamente essa: mostrar que o Mundo não para. Que tenhamos dores ou sorrisos, alguém ao nosso lado vai estar rindo ou chorando… e seguimos em frente…!
ExcluirEstá chegando no final… mais duas partes, e o conto se resolverá!!!
Aguardo ansiosamente o desenrolar.
ResponderExcluirSemana que vem…. Muitos desdobramentos importantes….
ExcluirO dia sempre acaba e o próximo pode ser melhor! O mundo não para; ainda bem !
ResponderExcluirAcho que é isso! Exatamente isso: esse teu “ainda bem”! Precisamos ficar atentos a isso: AINDA BEM que amanhã tem a piscina do “Beach Park” de novo, tem a academia onde as amigas fazem um ou outro exercício no meio das séries de repetições de conversas… Ainda bem que a rua vai estar ali: esperando nossas passadas….!
ExcluirO mundo continua a vida segue , mesmo com os problemas a gente segue firme! Nem todo mundo pode esperar que o amanhã traga grandes sorrisos, se vive o hoje o agora, entre lágrimas e coração magoado por aquele não dá apoio, continuamos seguindo! Que venha mais pra gente se ler , que as coisas pra Dora fique mais leve, que venha um sorriso pra essa mãe que não desiste de lutar! Liu
ResponderExcluirÉ preciso seguir andando… a vida sempre continua… conosco… sem nos. Com nossa alegria, nossa tristeza…!
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