Um curioso da vida... sobre a vida... O livro lança-me... o filme prende-me... o poema liberta-me... o sorriso resgata-me... o amor... ah, o amor! Poesia de Ver; Pensamentos Perdidos; Diálogos; Crônicas! ... e repetir todos os dias da minha vida, que João será o meu melhor amigão para sempre...
quarta-feira, 26 de dezembro de 2018
Segundo Micro Conto de Amor
segunda-feira, 24 de dezembro de 2018
Poesia de ver: … era amor! /// Poetry to see: ... it was love!
sexta-feira, 21 de dezembro de 2018
Poesia de ver: ... muro de fé!
segunda-feira, 17 de dezembro de 2018
Poesia de ver: … flor de papel! /// Poetry to see: ... paper flower!
O Mariposa a Marreta e a Pequena - parte dois (antes da parte um)
domingo, 16 de dezembro de 2018
Poesia de ver: … no caminho! // Poetry to see: ... in the way!
domingo, 18 de novembro de 2018
O Escápula, o Martelo, o De Fundo e o Assalto
sexta-feira, 2 de novembro de 2018
O Mariposa, a Marreta e a Pequena
— A culpa… meio que é sua, doutor…
— Hein?
Ele meio que se assustou, e apertava ainda mais o velho boné nas mãos.
— É, doutor… o senhor me desculpe, sabe…?! … mas eu tentei ficar longe da Pequena.
— Como tentaste ficar longe, Mariposa? Tu estavas era preso!
— Pois então, doutor…
— Então o quê, Mariposa? Mal saíste e já aprontaste de novo, foi te meter em confusão com a Pequena?!
— Mas por isso, doutor…
— Por isso o quê, Mariposa? Desse jeito, vou ter que decretar tua prisão de novo!
— Justamente, doutor…
Nesse momento, notei que o Goela balançava a cabeça como quem faz aquele som de “tsc tsc tsc” quando a gente ou se conforma com alguma coisa ou pensa “isso não tem jeito”.
O Mariposa, um comerciante até respeitado na cidade, chegou outro dia, todo agatanhado no pescoço, um lado do rosto, a camisa rasgada, e queria me mostrar até onde mais estava com marcas de unhas, mas eu disse que não era preciso. O Tonelada, policial que trouxe o Mariposa, disse que quando chegou na casa, tava tudo quebrado: TV no chão, geladeira virada, cadeiras quebradas.
— E a Pequena, Tonelada? — eu perguntei naquela ocasião.
— Ah, doutor, não gosto de falar… tava difícil. — respondeu o Tonelada, meio sem jeito.
— O que houve? Tava muito machucada?
— Não, doutor. Difícil foi conter a Pequena, que tava com uma marreta tentando quebrar a porta do banheiro onde o Mariposa tava trancado. A sorte é que ela não dava conta de levantar a marreta, doutor.
Quando ele disse isso, já pensei em soltar o Mariposa, mas ele logo foi falando:
— Bati na Pequena, doutor!
— O quê? Tu nunca foste disso, Mariposa!
— Tava bebido, bati, doutor!
Ele não parecia bebido.
— Mariposa, fala a verdade!
Ele não me olhava. Ficava com a cabeça baixa.
— Bati, doutor.
— E a Pequena? — Perguntei pro Tonelada.
O Mariposa arregalou os olhos, e olhou pro Tonelada.
Desculpa, doutor, não deu de trazer a Pequena. Ela me ameaçou com a marreta. Mas não deu conta, largou a marreta e saiu. Daí trouxe o Mariposa. Tive que arrombar a porta, porque ele não acreditou que a Pequena tinha saído.
Eu ia soltar o Mariposa. Mas antes que eu dissesse algo ele falou.
— Se eu me encontrar com a Pequena vai dar morte, doutor.
Olhei o Goela que discretamente balançou a cabeça em sinal afirmativo.
Resolvi por mandar o Mariposa pra cadeia e o Tonelada entregou ele pro Fechadura, o carcereiro, que entregou o Mariposa pro Brédi Piti, o preso que cuida da carceragem enquanto o Fechadura toma uma e o Delegado tá viajando.
Dois dias depois, o promotor que havia substituído o anterior (o promotor Cava-Cova que cavou a própria) chegou na cidade e entendeu que nem era caso de denúncia. Pediu o arquivamento do expediente. Até porque, ninguém encontrou a Pequena.
Então, soltei o Mariposa. E não demorou nem um dia, e ele estava ali de novo, algemado. A Pequena tinha ido parar no hospital. Daí que essa vez era grave. E o Mariposa dizendo que a culpa era minha!
Como não havia laudo, mandei o Goela correr no hospital que fica bem em frente da delegacia. Ele voltou rápido. Como não havia médico, o Goela nem falou com a técnica de enfermagem. Foi direto na fonte das notícias. Passou rápido no açougue do Retalho e soube detalhes com o Manobra, motorista da ambulância que tava lá jogando bilhar e tomando a segunda do dia, afinal, já era, quase 10 horas da manhã!
O Mariposa tinha trocado a Constante, companheira de toda a vida, pela Pequena, com metade da idade. Mas a Pequena era braba. Bastou um dia o Mariposa chegar tarde, cheirando a Leite de Rosas, e a Pequena mostrou seu tamanho. Agatanhou todo o Mariposa e quebrou tudo na casa. Há quem diga que se o Tonelada não tivesse chegado, ou se a marreta fosse mais leve, ela tinha matado o Mariposa.
— Doutor… — ele continuou — se o senhor não tivesse me soltado tão cedo, doutor…
Hein? Pois é… o Mariposa estava me culpando, por te-lo soltado!
— Eu também tenho culpa, doutor. Não devia ter deixado a Constante pela Pequena… e a Constante tava até indo me levar merenda na delegacia, doutor… não era pra ter me soltado.
— Mas agora tu vais preso mesmo, Mariposa! A Pequena foi parar no hospital, afinal de contas!
O Goela se aproximou. Cochichou no meu ouvido:
— Não deu conta da marreta, doutor.
— Hein? — (Foi um “hein" cochichado).
— Foi levantar a marreta pra bater no Mariposa e deixou cair no pé. Tá lá no hospital com o pé quebrado e jurando o Mariposa.
Luís Augusto Menna Barreto
3 de novembro de 2018
Se você gostou dessa crônica e quer ver a parte 2, que conta os acontecimentos que antecederam a esta confusão,
