Em destaque (último trecho publicado):
… tantos meses fosse desde a morte até o desmorrimento.
Enquanto o problema do seguro se desenrolava, o segundo turno da eleição estava a todo vapor! Metade da cidade para votar na alma do Valdir, metade da cidade para votar no corpo do Alberto. Na propaganda na televisão, no …
Trecho 26
(Continua...)
Todos os trechos publicados, em seqüência:
Nenhum dos velórios dele havia sido tão triste, como na primeira vez que ele morreu. E foi também o mais concorrido!
A primeira morte foi a mais traumática… mas pior foi quando desmorreu… entre o susto e a felicidade, o primeiro saiu ganhando. Era santo ou visagem…?
Foi a sete passos da cova já aberta, que os seis amigos que levavam o caixão nos ombros ouviram as batidas… como se combinado, pararam de caminhar… o cortejo parou intrigado… e novamente ouviram-se batidas que só poderiam ser do morto, vindo de dentro do caixão…!
Dos seis amigos que carregavam o ataúde, um saiu correndo em velocidade que nem sabia, outro se ajoelhou em profusão de sinais da cruz, e os demais não sabiam se continuavam ou n˜ao! O Padre resolveu o impasse, determinando que se voltasse à capela, o que se fez em passo apressado…
O cortejo em marcha ré, ao som das batidas do morto, as carpideiras já não sabiam se deveriam continuar chorando: se o morto tivesse desmorrido e tudo estivesse ao contrário, talvez rir fosse o adequado! A confusão deu-se maior quando o cortejo vindo de ré, encontrou…
… outro morto a entrar na capela. Os dois cortejos pararam e deu-se a confusão. Os dois Padres reunidos em conselho, um do morto fresco outro do desmorrido, chegaram à conclusão de que, sendo a capela para velório, mais direito teria o morto fresco. E foi daí que o caixão com o…
… morto desmorrido foi conduzido para o carro funerário! O cortejo já tinha acostumado com as batidas, então, a curiosidade falou mais que o medo. O Padre mandou abrir, empunhando a cruz, e pronto pra jogar água benta, como se fosse arma! Quando levantaram a tampa,...
… o morto logo sentou com cara de quem não está entendendo! D. Zilma, mãe do morto, que aguentou firme quando ele morreu, não suportou o desmorrer e desmaiou! O morto pareceu nem se importar. Então a Carmem, sua esposa, venceu o susto e o medo, abriu caminho e...
… foi abraçar o marido desmorrido:
— Alberto, que susto! Achei que tinha perdido você.
O desmorrido olhou assustado e não retribuiu o abraço:
— Carmem… esposa do Alberto, né?
— Tua esposa, Alberto! Tua! Que conversa é essa?
— Conversa nenhuma! A senhora está confusa! Eu sou o Valdir!
Se outra fosse, quem morreria seria a Carmem; mas essa do jeito que era, parece que até a morte a rejeitava! E o morto desmorrido disse ainda, procurando com os olhos:
— Aliás, onde está a Lucinha, minha mulher?
E estava estabelecida a confusão! O morto era o Alberto, mas a alma desmorrida era do Valdir, vizinho do Alberto e da Carmem, marido da Lucinha, e que havia morrido há um ano, estando a viúva ainda guardando luto.
Estando a Lucinha no velório, pois que amiga e vizinha, apressou a pedir licença e todos abriram caminho. Pegou a mão do desmorrido de um lado, enquanto a Carmem não largava a mão do ex morto do outro! Passaram as duas, a reivindicar a desviuvez, sem pensar, ainda, nas consequências!
Dois lado se formaram: uns defendiam a validade do corpo do desmorrido! Estavam do lado da Carmem; uns defendiam a validade da alma do ex-morto! Estavam do lado da Lucinha! Sem consenso, a questão foi para a Justiça: dos homens e de Deus! Que digam os juízes e os Padres!
Enquanto o Tribunal Eclesiástico ponderava se valeria a alma ou o corpo, aproveitando, já, para discutir se havia milagre no desmorrimento, o Tribunal da Justiça queria saber como ficaria o Seguro de Vida: a seguradora queria de volta, o seguro pago há um ano à Lucinha, viúva do Valdir, dono da alma desmorrida no corpo do Alberto.
Havia, ainda, outros problemas: os documentos!
— Um ou outro, seja o desmorrido Alberto ou Valdir, o que fazer com os documentos? — Ponderava um dos juízes do Tribunal!
Dependia, antes, de declarar quem desmorreu.
Depois de dias, juízes e padres concluíram:
Primeiro, quem declarou foi a Igreja!
Todos olharam em silêncio, e o Bispo manteve a pausa. Até que falou solenemente:
— O Desmorrido é o Alberto! Nosso Senhor Jesus Cristo desmorreu no próprio corpo, assim será! A alma que se acha Valdir será exorcizada e no corpo restará somente…
… o Alberto!
Houve fogos e vaias. Comemorações e apupos!
No Tribunal de Justiça, quase ao mesmo instante, fora prolatada a sentença:
“Assim sendo, se mesmo antes de nascer, antes de ter corpo, a personalidade já tem direito, e se mesmo depois de morrer, vale a vontade do falecido…
… a alma prevalece, porque dela vem a vontade! O Desmorrido é o Valdir".
Nas duas instâncias, Igreja e Justiça, houve recurso e as decisões ficaram suspensas. Como era ano de eleição, tempo de escolher candidatos, o partido da situação tratou logo de lançar o desmorrido a prefeito!
Por via das dúvidas, o partido inscreveu os dois como candidatos: o desmorrido de corpo, Alberto, e o desmorrido de alma, Valdir!
Já se tinha o slogan: “Vote certo: no Valdir ou no Alberto”. Fossem um só ou fossem dois, o Partido tinha mais chance.
Enquanto se discutia na justiça e no clero, a cidade cada vez mais dividida, acabou dividindo também os votos, e foram para o segundo turno, justamente os desmorridos: Valdir ou Alberto, seria o prefeito!
A política traçando seu curso, as duas candidaturas travando as lutas: a da alma do desmorrido ameaçando deixar o corpo sem alma, em caso de derrota nas urnas; a do corpo do desmorrido dizendo que não entraria na prefeitura e queria ver a cidade ser governada por uma alma sem corpo.
E ainda outras questões apresentavam-se para aquele caso de desmorrer tão singular: enquanto a seguradora do Valdir queria ver o despagar do sinistro desacontecido, a seguradora do Alberto não pagava porque não houve o morrer do corpo! Carmem logo falou que certo seria ...
… a Lucinha, que havia desenviuvado, entregar para ela o dinheiro do seguro pago pelo Valdir desmorrido no corpo do Alberto. Tomando grandes proporções o problema do seguro, o Tribunal de Justiça novamente teve de intervir: decidiu-se que...
… valeria tanto a morte quanto o desmorrer! Se o seguro segurava a morte, a morte aconteceu, decidiram. O seguro fora bem pago! No contrato, nada havia sobre devolução por desmorrimento. Assim, para ficar claro, criou-se a certidão de desmorrer! Dali por diante, haveria que se registrar o nascimento, o casamento, o ...
… o descasamento, o morrimento e, agora, o desmorrimento. De todos, apenas o nascimento se poderia registrar uma vez só.
Com a decisão da Justiça, de fazer pagar o seguro, porque a morte aconteceu, os contratos passaram a prever a devolução proporcional do dinheiro...
… tantos meses fosse desde a morte até o desmorrimento.
Enquanto o problema do seguro se desenrolava, o segundo turno da eleição estava a todo vapor! Metade da cidade para votar na alma do Valdir, metade da cidade para votar no corpo do Alberto. Na propaganda na televisão, no …
….
Confusão mesmo!! Só no Marajó mesmo!! Muito boa, não tem como não tirar um riso dessa crônica!! 😅
ResponderExcluirOi Liuuuu!!! Eu gosto muito dessa história!! É uma confusão atrás da outra! Desnortear dá muito trabalho e tem muita burocracia!!!
ExcluirÉ a confusão que a gente gosta de está juntos lento e pedindo bis, só o Marajó pra dá este gostinho de quero mais e mais l! Rsrs cadê essa live ? Nunca mais fez uma pra gente!!
ExcluirOi Liuuuuu....!!!! Verdade... mas PROMETO que vou fazer uma live super em breve!!!!
ExcluirDelícia de confusão, né?! E vem muito mais por aí...
(Só para esclarecer, a Liuu deixou esse comentário e eu estou respondendo, com a publicação do trecho 8!!!!!! Vem muito mais!
Só no Marajó mesmo pra ter tanta confusão. Essa dos mortos, um "desmorrido" foi ótimo rsrsrsrs
ResponderExcluirDá pra imaginar o corre - corre, hilário demais kkkkkkk
E a confusão está apenas começando... Deu algum probleminha no departamento de desmorrimento, e o desmorrido na verdade veio com o corpo do Alberto.... mas a alma.... ihhhhh.......
ExcluirContinue acompanhando... vem muita confusão por aí!!!
Que saudades desses 'causos' que só existem em Marajó City
ResponderExcluirE esse, professora, ainda tem muita confusão por vir.... estou fazendo uma pequena experiência de ir postando um trecho por dia... assim, estou usando a mesma postagem, e acrescentando dia a dia, um trecho...!!!!!!
ExcluirParabéns pela criatividade!
ResponderExcluirMas bah!, obrigado!!! … e vem mais confusão por aí…!!!!
ExcluirMas bah, obrigado!!! … e vem mais confusão por aí……
ResponderExcluirContinuo esperando mais confusão.
ResponderExcluirPois imagina a confusão de dois candidatos em um?!!!! Vem mais por aí!!!!
ExcluirAmei
ResponderExcluirAh!!! Obrigado….. está estória está sendo construída no caminho!! Bora com a gente ajudar a construí-la….! Tu votarias em quem…?!
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