quarta-feira, 29 de julho de 2026

A Criação da Criatura


Fez-se à Terra o Criador, tendo para si que o oitavo dia era, mesmo que milênios houvessem passado para sua criação; e, decidido a ter nova criatura, sobre essa não tinha idéia, quando idéia outra teve: daria à criatura já criada, a tarefa de uma nova criar.
Descendo ao universo que do nada criara, e descobrindo o jardim batizado por “Terra”, viu multiplicado, além do que esperava, a última criatura que criara. De uma dessas, multiplicada já em bilhões, escolheu uma chamada João e deu-lhe a tarefa.
De início desconfiado, argumentou João que tarefas já tinha demais, e havia trabalhado a semana toda, e …
“Perfeito”, interrompeu-lhe o Criador! Sua melhor criação fora depois de uma semana de trabalho, outras coisas criando para receber a obra prima criatura! E prometeu a João, o descanso no dia sétimo!
Relutou, João, argumentando que nem sabia se no no Criador acreditava. Poderia ser tudo um sonho, do qual ele acordaria entediado! Pois que irritou o Criador, afinal, como pensava, João - a criatura -, que tudo fora criado? De onde teria vindo, se antes só o Verbo, sequer luz havia-se feito. Depois, deixou sua irritação, como o pai que a tudo perdoa o filho. E também como pai, advertiu: Repousaria o tempo (seu) de um cochilo e, quando acordasse, queria ver apresentada, uma nova criação! Deitou-se, então, o Criador e divino sono adormeceu, pelo tempo de um breve sopro.
Despertou com som das orações que sempre escutava. Mas havia uma diferente, uma voz que jamais rezava. Aguçou o ouvido e notou que era João quem orava. Passado o torpor do sono, que às criaturas e ao Criador acomete, e foi conferir a tarefa infligida e o motivo da oração, o que lhe deixara curioso, porquanto era a primeira que de João se fazia ouvir: o que afinal, João, o descrente, estaria a pedir em oração? 
Não era pedido!
O joelho vergado ao chão, desculpava-se e agradecia. Envaidecido, apresentou ao Criador o filho recém nascido, erguido em braços orgulhoso: carne de sua carne. Sangue de seu sangue. Um amor que era a conseqüência, de outro amor que era a causa!
Finalmente, a criatura acreditou no Criador: a vida era generoso milagre, e o que, enfim, criou a criatura, fora a fé que lhe surgiu ao ver o amor transformado em vida!

Luís Augusto Menna Barreto
9.5.2019

3 comentários:

  1. Que texto lindo!! A vida é realmente um generoso milagre!!
    E o que seríamos de nós, pobres criaturas, se não acreditássemos no Criador!!!

    ResponderExcluir
  2. A vida é realmente um generoso milagre!!E o que seríamos de nós, pobres criaturas se não acreditássemos no Criador!!

    ResponderExcluir
  3. Fiquei emocionada. Nossos frutos expressam um amor inexplicável. Como não crer no Criador? Quer tenham 1, 10 ou 50 anos ou qdo começam a cuidar de nós, olhamos para eles como da primeira vez q os pegamos em nossos braços. Obras divinas, verdadeiramente.

    ResponderExcluir

Comentários são bem-vindos. Coragem também. O autor responde quando quer. Dona Grafos, quando necessário.