domingo, 30 de agosto de 2026

Com a Mãe Certa, o Filho é Santo*


Eu sou fã de Santo Agostinho. 

Não sei se tão devoto, mas fã, com certeza!

Por dois principais motivos: primeiro, que ele teve uma vida mundana, cheia de pecados, até quando se converteu, com mais de trinta anos, depois de ter um relacionamento de mais de quinze anos com uma mulher que deu à luz a seu filho Adeodato. Eu sei que já passei da idade em que Santo Agostinho converteu-se, mas, por outro lado, talvez não tenha o currículo de pecados que ele havia acumulado na época e para os costumes da época. Então, o fato de que este maravilhoso Santo tivera antes uma vida mundana, dá-me esperança.  

Há mais um motivo, porém, que me faz gostar muito de Santo Agostinho: o fato de que muitos atribuem sua conversão não a ele próprio, mas, antes, à fé de sua mãe. 

Conta a história, que quando Santo Agostinho morava em Milão com sua mãe, ao aproximarem-se da amizade com o Bispo Ambrósio, de famosa retórica, Mônica (nesta época apenas Mônica, mas já destinada à santidade por ter um filho como o então Agostinho), ia todos os dias, TOOOODOS, ter com Dom Ambrósio, e lamuriar-se pelas estrepolias do filho, que lhe dava tanta dor de cabeça. Dizem que todos os dias chorava, e lamentava-se para o bispo! 

Pois o bispo (que depois se tornou Santo Ambrósio), enquanto apenas humano, aguentou o que podia… mas, convenhamos: aturar todos os dias, todos os dias, todos os dias, a mesma mulher com a mesma lamúria, por conta de um filho mala, não deveria ser fácil. Até que um dia em que provavelmente dormira com os pés de fora, ou havia tomado manga com leite, aconteceu: chega lá a Dona Mônica, para mais uma vez, desfiar o rosário de lamúrias, antes do rosário de orações. 

— vai-te daqui, mulher! Chega! Volta para tua casa! Não há de perder-se um filho de tantas lágrimas!  

Dado o piti do bispo, a história guardou para si a reação da Mônica… Sem dizer como ou porquê, naquele mesmo dia, houve-se a conversão de Santo Agostinho!

Eis, pois, que muitos atribuem a conversão de Santo Agostinho à Santa Mônica, quando ia chorar as pitangas para Santo Ambrósio! E repararam? O desregramento de Santo Agostinho, no fim das contas, fez gerar dois Santos para as fileiras da Igreja Católica!

Eu penso que se tenha dado o seguinte: Santo Ambrósio virou santo, porque aguentou Santa Mônica (até então e para o então bispo Ambrósio, apenas “Mônica, aquela mulher chorona”); Santa Mônica virou santa porque por intercessão direta sua, pela sua fé, pela sua dedicação e constância, teria realizado o milagre da conversão de Santo Agostinho! E o Santo Agostinho, no final, deu-se bem, e virou santo porque, por sua causa, duas pessoas foram santificadas!

Ok… ok… pode não ter sido exatamente assim, exatamente estes os motivos da canonização dos três, mas esta é a maneira como eu gosto de pensar! 

Daí, que considerando tudo isso, eu tenho chance! Não de virar santo, não!, isso não vejo chances, mas quem sabe, a salvação! 

Tudo bem que a mãe não vai todos os dias encher o saco do Padre da Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, ou simplesmente Igreja da Cidade Baixa, em Santo Antônio da Patrulha. Mas ainda assim, ela sempre foi querida pelos padres (talvez, justamente por se limitar a ir na missa aos domingos e não ficar usando as indulgências sacerdotais com suas lágrimas!). Mas minha mãe, D. Zélia, tem uma fé muito forte, e eu acredito que pela oração dela, eu posso ser salvo!

Santo Agostinho que me traz esta esperança! Daí, minha devoção a ele! 

E, no fim das contas, uma vez convertido, Santo Agostinho foi um dos maiores filósofos da Igreja Católica! E numa dessas filosofadas, Santo Agostinho propôs-se a definir a eternidade. E eu, com minha modesta genialidade, vou resumir: Santo Agostinho fala que a eternidade não é o tempo infinito, não é ter todo o tempo do mundo! Eternidade é, justamente, a ausência de tempo! Ou seja: tudo acontecendo junto: tudo foi, tudo é, tudo será - ao mesmo tempo! No paraíso, seremos consciência (alma) de forma plena, e sem depender de tempo. Isso justificaria e explicaria, inclusive, o dia do juízo final, porque não seria necessário uma vinda do juízo final. Assim que adentrássemos à eternidade, viria o juízo final, estaríamos no juízo final e passaríamos pelo juízo final. Ao mesmo tempo. De forma plena, sem senhas, sem filas! 

Ficou complicado? Bem, Santo Agostinho explica muito melhor! Mas o babado é esse: ele defende que eternidade não é tempo infinito: é ausência de tempo! 

Porque eu falei de tudo isso hoje? 

Ah… porque eu, que não sou santo, tenho um conceito diferente de eternidade! Lá vai: eternidade, é você, meu caro, amigo leitor, casado, em seu papel de marido, ter que entrar naquela loja de roupas femininas em liquidação, e esperar uma eternidade até ela escolher uma única blusinha, enquanto você segura todas as outras sacolas para ela! 

Ausência de tempo? 

Ausência de tempo o caramba! 


Luís Augusto Menna Barreto

21.2.2019

*Revisado em agosto de 2026.

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