quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Segundo Micro Conto de Amor /// Second Micro Tale of Love



Ela sorriu na primeira vez, há muitos anos, em que ele lhe deu uma rosa. 
E ele decidiu que amaria aquele sorriso para sempre. Então, sem que ela soubesse, aos quinze anos ele passou a cultivar um jardim, em segredo, para que pudesse sempre dar a ela as rosas mais lindas. 
E então, ela passou a juventude ganhando flores que, cuidadosamente, colocava em um copo com água, que lhe servia de vaso. Ele passou a conhecer as flores e sabia quando a rosa murcharia. E jamais ele deixou que faltasse uma flor bonita no copo que era um vaso de flores.
Então, um dia, ele foi arrancar uma rosa como todos os dias ele fazia… mas foi diferente: havia uma lágrima na rosa. 
… e ele não conseguiu arrancá-la. O copo ficaria sem flor.
Então que ele foi até a menina que ele fazia sorrir com flores. Pegou-a pela mão,  levou-a ao seu jardim e mostrou a rosa que não mais chorava e estava aberta e linda como nenhuma outra  que ele plantara ao longo daqueles anos de juventude.
… e a menina deu a ele o sorriso mais lindo que ele jamais vira em toda a sua vida.
E tempo depois, ela disse “sim" naquele jardim, que cultivaram juntos, por toda a vida, até o dia em que eles mesmos foram plantados…

(E chamaram isso de amor…!)
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She smiled the first time, many years ago, when he gave her a rose.
And he decided that he would love that smile forever. Then, unbeknownst to her, at the age of fifteen he began to cultivate a garden, in secret, so that he could always give her the most beautiful roses.
And then, she spent her youth earning flowers that she carefully placed in a glass of water, which served as a vase. He came to know the flowers and knew when the rose would wither. And he never let a beautiful flower in the glass that was a vase of flowers.
Then one day he would pluck a rose like every day he did ... but it was different: there was a tear in the rose.
... and he could not pull it off. The glass would be without flower.
Then he went to the girl who made him smile with flowers. He took her by the hand, led her into his garden, and showed the rose that no longer cried, and it was open and beautiful like no other that he had planted in those years of youth.
... and the girl gave him the most beautiful smile he had ever seen in his life.
...
And some time later, she said "yes" in that garden, which they cultivated together, for a lifetime, until the day they were planted themselves ...
(And they called it love ...!)

Image and text by Luís Augusto Menna Barreto

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Poesia de ver: … era amor! /// Poetry to see: ... it was love!


— Como você pode me achar linda ainda? Minhas pétalas estão secando… estou perdendo o viço…
— Eu conheço você desde sua juventude. Desde quando você não havia perdido uma pétala sequer. EU acompanhei toda sua vida. Por isso, eu acho você linda.
— Mas isso não é beleza!
— … tens razão! É maior que beleza. É amor!

///

— How can you find me beautiful yet? My petals are drying ... I'm losing my strength ...
— I’ve known you since your youth. Since when you had not lost a petal. I've followed your whole life. So I think you're beautiful.
— But that's not beauty!
— … you're right! It's bigger than beauty. It's love!

Imagem e texto por Luís Augusto Menna Barreto

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Poesia de ver: ... muro de fé!



... porque nem todos os muros separam...
Alguns unem e igualam pela fé!

Por Luís Augusto Menna Barreto 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Poesia de ver: … flor de papel! /// Poetry to see: ... paper flower!



… parecia que havia muito trabalho… … e eu percebi que faltavam flores!
De repente com um pedaço de papel, meu dia ficou mais bonito!

... it seemed like there was a lot of work ... ... and I realized there were flowers missing!
Suddenly with a piece of paper, my day became more beautiful!



Por Luís Augusto Menna Barreto

O Mariposa a Marreta e a Pequena - parte dois (antes da parte um)

— Égua, maninha! Tá doida? 
— Desculpe, senhor, é o preço do “5”.
— Ah!, que susto! Não, tu não entendeste, mana, eu quero só um desse pequeno aqui, ó! — E o Mariposa exibia, nervoso, o desenho do perfume que o Rascunho tinha feito pra ele.
— Senhor, acho que quem não entendeu foi o senhor. O preço é de um frasco só. O nome do perfume é Chanel n. 5.
Quando o Mariposa levou o Rascunho lá na casa dele pra desenhar o perfume da Pequena, o Rascunho anotou o nome “Chanel”, mas não o número, porque achou que o número fosse “número de lote”, ou algo assim. Afinal, onde já se viu, nome de perfume com número? Perfume que é perfume tinha nome bonito, como “Leite de Rosas”, “Alma de Flores”, “Seiva de Alfazema”, ou o preferido do Rascunho: “Cashmere Bouquet”, que tem que fazer biquinho pra falar.
O fato é que a Pequena adorava aquele perfume. E pra todo lado que andava, colocava o tal!
O Mariposa, que largou a Constante depois de mais de 30 anos de vida juntos pra ficar com a Pequena, descobriu logo duas coisas: a primeira, que o problema não era a Constante! Era ele, Mariposa, que não sabia se aquietar com uma mulher! Sim, porque da Pequena, aos 26 anos, nada se podia reclamar em termos de formosura e mesmo assim, logo o Mariposa já quis se engraçar com uma morena que saía de uma festa e passou na frente do açougue do retalho, onde o Mariposa ainda tava tomando uma por volta das 2 horas da madrugada. A segunda coisa que descobriu, foi que a Pequena não era como a Constante, que até sabia das escapadelas do Mariposa, mas, cofiando que o sono do porre chegaria antes de concretizar o enlace amoroso, foi sempre foi muito tolerante. Naquela altura da vida, pensava a Constante, o mais importante era que não faltasse na mesa o açaí e a farinha. Até que apareceu a Pequena pra virar a cabeça do Mariposa. Mas com a Pequena foi diferente já na primeira vez que o Mariposa deu um cheiro numa  outra morena! Assim que chegou em casa, a Pequena nem precisou chegar perto e já saiu com uma colher de pau pra cima do Mariposa.
O alarde foi tão grande que no outro dia, tava todo mundo no Fórum. O flagrante veio como violência doméstica, ou por “Maria da Penha” que é como o pessoal chama por aqui. O Brédi Piti, preso que sempre ajuda o delegado nos flagrantes tentou avisar que era lesão corporal e que a vítima era o Mariposa, mas pro delegado, briga de marido e mulher é sempre Maria da Penha.  E ainda tinha a ameaça, mas isso nem passou pela cabeça do Delegado. A Pequena jurou o Mariposa, com colher de pau em riste!
— Doutor, eu não fiz nada — Dizia-me o Mariposa, com cara de coitado.
— Tava com outra, doutor! Admite, safado! — Gritava a Pequena.
Por via das dúvidas, pedi pro Goela pegar a colher de pau que ainda tava com a Pequena! 
No fim das contas, eu entendi também que o Mariposa não havia batido na Pequena e sim o contrário. Mas eu não me aguentei e perguntei:
— Mas Pequena, como tu tens tanta certeza que o Mariposa esteve com outra?
— O cheiro, doutor. Veio com cheiro de outro perfume! 
O Mariposa logo entendeu. A Constante nunca cheirava ele, e quando ele chegava, a Constante já tava em largo sono na rede.
Foi daí que o Mariposa fez seu plano. Ele sabia que a Pequena tinha aquele vidro de perfume que ficava guardado no roupeiro e todo dia ela botava uma gota em cada lado do pescoço. Pois um dia ele pegou o vidro que tava quase vazio, e saiu atrás de outro igual. Mas não deu jeito de achar na cidade. O vidro parecia coisa fina, e ele resolveu que na primeira ida em Belém, compraria um perfume desses, acharia de novo aquela morena e ficaria com ela em troca do perfume. 
Mas pra Belém, não poderia levar o frasco, senão a Pequena iria desconfiar. Daí que levou o Rascunho, companheiro de bilhar e de bebida, que desenhava alguma coisa, pra copiar no papel o frasco do perfume da Pequena.
E foi então que depois de mais de dez horas no navio, desceu em Belém e quis logo resolver o problema do perfume! Mas quando a vendedora disse o valor ele quase caiu pra trás, e não entendia como que a Pequena podia ter um perfume daquele, demais caro. Mas mesmo assim, decidiu que levaria o perfume. Mais do que o valor, ele se sentia humilhado pela Pequena, porque com a Constante nunca passou por algo assim. De alguma forma, ele queria sentir-se vingado. Daí, que usou todo o dinheiro que havia levado pra Belém, ficou sem almoço, sem merenda, e fez fiar a passagem da volta… mas comprou o dito!
O plano era perfeito! Iria procurar a morena, dar o perfume e chegaria em casa com o cheiro da Pequena. Pra garantir, daria um amasso na pequena antes de sair de casa, pra depois dizer que o cheiro foi do abraço.
Tudo correu como o planejado… até chegar em casa! Ele deu um amasso na Pequena antes de sair, foi pro açougue do Retalho e ficou por lá jogando bilhar e tomando uma, até que viu a morena. Foi atrás e o resto foi fácil. Quando mostrou o perfume naquela caixa tão linda, ela se entregou às carícias do Mariposa, que nem mesmo quis se demorar, porque prazer mesmo ele teria ao chegar em casa e ver a Pequena desconfiada mas sem poder acusar de nada! Pelo cheiro, dessa vez ele não iria ser pego!
Mas quando! 
Mal ele entrou e a Pequena pegou a colher de pau!
— Égua, Pequena, ta doida? É o teu perfume! É o teu perfume! É o teu perfume —, gritava o infeliz. 
— Tu pensas que eu sou besta, Mariposa, seu excomungado! Vem aqui que vou te mostrar o meu cheiro, seu patife! — e toma-lhe colher de pau e agatanhada!
Foi que no desespero, ele gritou: 
— Eu te dou o perfume! Eu comprei um novo! Eu te dou!
A pequena hesitou:
— Cadê?
— Em 10 minutos eu trago!
— Tu não entra nessa casa sem o perfume, Mariposa!
Ele voltou com o perfume! E com outros arranhões também. A Pequena até sorriu, ao ver que ele deve ter apanhado também da outra para quem ele deu o perfume e teve que pegar de volta. 
Depois que ele chegou com o Chanel n. 5 quase cheio, foi que ele descobriu!
A Pequena tinha só o frasco! Do tempo que ela trabalhou de empregada na casa de uns “gringos” que vieram “de fora” tirar madeira do Marajó. Ela achou lindo o vidro do perfume da madame, e, quando acabou, catou o frasco vazio no lixo. Mas sempre encheu o frasco com “Alma de Flores”. 
Depois dessa vez ela jurou que mataria o Mariposa se ele aprontasse de novo. Daí que deram os entreveiros que eu contei na crônica anterior… Acontece que o Mariposa errou de novo: usou Leite de Rosas!


Por Luís Augusto Menna Barreto

domingo, 16 de dezembro de 2018

Poesia de ver: … no caminho! // Poetry to see: ... in the way!




… porque não são só pedras… há flores espalhadas no caminho…!

... because they are not only stones ... there are flowers scattered along the way ...!

Por Luís Augusto Menna Barreto