quinta-feira, 19 de maio de 2016

pensamentos perdidos - "pot-pourri" de versos soltos - republicação de 3 postagens antigas

pensamentos perdidos


(Hoje, posto 3 pensamentos perdidos do blog antigo, quando eu ainda não sabia que rumo tomaria esse tema… talvez, então, as postagens estivessem apropriadas ao tema: perdidos!)

Originalmente  publicado no antigo blog
"Menna Comentários", precursor deste.
Data da postagem original: 26.02.2016.
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Vês quanta coisa sonhada,
quantos poemas sobre o mar?
Quanta coisa não falada,
pelo medo de chorar?
Medo de um adeus…?
Ouvir um “não”, talvez,
fugir do “não" outra vez,
medo da dor…
Por que não falar de amor…?
Quem disse pra não sonhar…?
Guardar os sonhos pra si,
esconder-se ou desistir,
por não querer errar…?
Não sei…
Não quero viver assim,
escondendo “eu" de mim,
por medo do que vou ver.
Por não deixar de ouvir,
algo que pode ferir,
não vou desistir de viver.

Vês? Ainda há vidas.
Há poemas sobre o mar!
Há muito o que viver…
… talvez haja mais pra sonhar!

(Conto que estou escrevendo… Provisoriamente tem o título de “Entrelinhas”, porque a intenção é fazer o leitor descobrir as verdades nas entrelinhas… podem ser as verdades dos personagens… ou as suas próprias…)


pensamentos perdidos

Originalmente  publicado no antigo blog
"Menna Comentários", precursor deste.
Data da postagem original: 22.02.2016.
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 "Velas que são luzes
Caminhos no ar…
Antes era o fogo
A vontade de voar…”

(De outro conto que jamais escrevi... mas ele não morreu... em algum lugar está vivo em mim... sufocado... pedindo pra viver…)


pensamentos perdidos

Originalmente  publicado no antigo blog
"Menna Comentários", precursor deste.
Data da postagem original: 18.02.2016.
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Preciso falar de amor,
Contar uma estória de dor,
Ou algo assim.
Falar de personagens sem nome,
Gritar da dor que os consome,
E que está aqui, dentro de mim.


(Este é do conto de mim mesmo…)

quarta-feira, 18 de maio de 2016

poesia de ver - ... aquecendo...!

Poesia de Ver:



“Pobrezinho de ti, ipê… quando mais precisarias abrigar-te do frio, o outono retira-te todas as folhas e flores…”

“Ah, mas não é o outono que me retira as folhas. Eu que as jogo no chão!”, tu me respondeste.

Mas por que fazes isso?”, perguntei.

“Eu jogo minhas folhas no chão, para que te sirvam de tapete e protejam teus pés do frio, para que jamais deixes de visitar-me!" 

Texto por Luís Augusto Menna Barreto

Imagem gentilmente cedida pela artista fotográfica Ane Matsuura
(@annematsuura1)

terça-feira, 17 de maio de 2016

crônica - Nunca Mais Pergunto

Crônica: Nunca mais Pergunto

Originalmente  publicado no antigo blog
"Menna Comentários", precursor deste.
Data da postagem original: 06.02.2016.
Comentários na postagem original: nenhum
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Às vezes a gente só aprende assim, mesmo! Quando acontece! 
Você já reparou que a maioria das lições que a gente não esquece, é quando a gente fica sem palavras?
Pois é! Eu e minha boca grande! 
Essa também aconteceu na cidade de Breves, no Arquipélago do Marajó, durante a audiência. E era uma “Maria da Penha” outra vez (aqueles casos de violência doméstica que agora tem um tratamento mais específico, depois que a pobre Maria da Penha de verdade, foi quase morta, lutou por anos e anos e o agressor foi condenado, cumpriu dois anos e hoje já se encontra soltinho da silva por aí)!
De novo estávamos na sala de audiência, e determinei que buscassem o caboclo que tava preso e que a vítima entrasse. Sem saber de qual lado da mesa sentar, sem querer interromper as atividades (intervalo entre uma audiência e outra é horário obrigatório de verificação de celulares, com zaps, periscopes e twuíteres), a pobre moça sentou-se ao lado do Defensor Público, mas ninguém disse nada. Acho até que o Promotor sentiu-se mais à vontade assim, porque poderia olhar com mais liberdade as mensagens de texto, sem que a moça espiasse com o canto do olho!
Um minuto depois, o policial fez entrar o agressor. O caboclo era um sujeito franzino, daquele tipo meio “ossudo”, sabe?! Mas olha: se alguém tem cara de mau, é esse! Diferente de muitos que entram com a cabeça baixa, o caboclo, que tinha no máximo 1,60m de altura, entrou de cabeça erguida e olhando direto pra moça. Essa, com a cabeça baixa, ainda tinha um olho completamente inchado, e a pálpebra tava parecendo uma bandeira a meio mastro. Ele entrou e ela olhou pro chão. Não o encarou nenhuma vez.
Peguei os autos do processo (de 30 páginas apenas) e tava lá: a agressão fora na porta da casa, 15 dias atrás. De novo, como em muitos laudos no arquipélago: “lesão causada por instrumento contundente. Meio cruel, socos”.
Li em voz alta e o caboclo, sem pedir licença me corrigiu:
“Socos não, doutor. Foi um só."
"Égua da porrada!" O promotor, com seu palavreado típico do Estado do Pará.
O Defensor Público a esta altura ficou curioso e fez um intervalo nas mensagens de celular que estava trocando, pra espiar primeiro a moça ao seu lado, depois o agressor e fez uma expressão de quem não acreditava muito que aquele sujeito franzino tivesse feito aquilo.
Perguntei pra moça o que tinha havido e ela foi econômica no relato:
“Eu tava chegando em casa, doutor, e quando fui abrir a porta, ele abriu na mesma hora e me deu um soco, me chamou de tudo o que o senhor pode imaginar e mandou eu ir embora, senão ele me matava…"
"Se eu quisesse matar tinha matado. Só dei um soco." Era assim. Ele interrompia se não concordava. Na verdade, eu poderia determinar que não interrompesse mais, mas alguma coisa me dizia que ele era do tipo que estava sendo sincero, e assumia o que fazia. Tanto assim, que depois disso, a moça foi pra delegacia e o caboclo foi preso ainda parado na porta de casa, como quem estava esperando a polícia. 
Quinze dias na cela da delegacia aguardando a audiência, e a impressão é que para ele havia sido apenas algumas horas.
Naquela época, antes do Supremo Tribunal Federal decidir que todos os casos de Maria da Penha com agressão efetiva tem que prosseguir, o processo só ia pra frente se a vítima quisesse e declarasse isso na frente do juiz.
Comecei, então, a fazer o que sempre faço: explicar para a moça como funcionaria. Ela também me interrompeu (acho que isso era costume do casal):
"Não precisa explicar, não, doutor. Eu quero parar por aqui. Não vou processar ele”! (Não seria ela quem processaria, seria o Estado, mas dá trabalho explicar isso, e todo mundo entendeu o que ela quis dizer).
Daí o promotor (que tem uma incrível habilidade em enviar mensagens e prestar atenção à audiência ao mesmo tempo) tentou convencê-la a “processá-lo”, perguntou se ela não tinha medo da ameaça de morte que havia recebido…
"Se eu quisesse matar, tinha matado. Só dei um soco." - Adivinha quem interrompeu?! Pois é. O caboclo!
Enfim, o promotor tentou, mas ela realmente não queria “processar" o sujeito. Vai entender…?!
O problema era que a moça estava com o olho muito feio mesmo e chegava a indignar o fato de que o agressor sairia dali sem ter nem mesmo com o que se preocupar.
Tentando não demonstrar, eu, ainda assim, queria pelo menos alguma explicação, ou que o agressor ficasse com algum remorso, sei lá! 
Aí que fiz a bobagem:
"Há quanto tempo o senhor está preso?" Perguntei, mesmo sabendo a resposta, porque tinha lido no auto de flagrante.
"Contando hoje, 15 dias, doutor."
"15 dias, por um soco. 15 dias numa cela imunda, por um soco. Valeu a pena?" ("Valeu a pena"????). Tá vendo? ESSA foi a pergunta errada! Digo para todos os colegas: JAMAIS perguntem isso!!!
Pois o franzino baixinho respondeu com uma pergunta:
"O senhor vai me soltar hoje, doutor?"
"Eu não vou 'soltá-lo'. É ela quem o está soltando, por ter consideração com o senhor, e não querer representar.
Acho que ele não entendeu e perguntou de novo:
"O senhor vai me soltar hoje, doutor?"
Daí, me rendi e vi que não adiantava explicar. Respondi pra ele entender:
"Vou, vou soltar o senhor hoje. Por quê?"
"Pois se o senhor me deixar preso só mais 15 dias, dou um soco no outro olho dela agora mesmo na sua frente!”
“Ééééégua!” Foi o promotor quem exclamou!.
Eu fiquei sem resposta. Sou lá do Rio Grande do Sul, e nem “bah!” consegui soltar.
Nunca mais pergunto pro acusado se valeu a pena!


Por Luís Augusto Menna Barreto

segunda-feira, 16 de maio de 2016

diálogo - ...escolhas

diálogos:

Não sei o que fazer… às vezes penso que se eu ficar vou lutar sozinha… como se amasse por nós dois… outras vezes, penso que se eu for embora, estarei deixando de lutar pelo amor… O que eu faço?” Era quase um apelo. E um apelo cruel: ela mesma sabia o quanto ele a amava, e era justamente com ele que ela falava de outro amor…
… não quero sofrer mais…” Lágrimas. Soluço contido.
“Tens que escolher para parar de sofrer. Sofres mais com a angustia de não fazeres nada.”
Tens razão.” Ela limpa as lágrimas com o punho do casaco. “… tenho que escolher o que me fará sofrer menos. O que será menos ruim.”
“Não é assim.”
Mas tu me disseste que tenho que escolher. que outro jeito há?
“Não escolhas pelo que pode ser ‘menos ruim’. Se escolheres ponderando o ‘ruim’ ,essa será tua medida. Escolhe pelo que pode haver de ‘bom’ num caminho ou no outro. O lado BOM que vencer será sempre uma escolha segura. Porque enxergarás o BOM. Se escolheres pelo que é menos ‘ruim’, até o bom pode ficar cinza.”
Dizendo isso, ele sabia que poderia perde-la… … mas ele também tinha de fazer uma escolha.


Por Luís Augusto Menna Barreto

domingo, 15 de maio de 2016

pensamentos perdidos - ... te ser suficiente

Pensamentos perdidos…:

Originalmente  publicado no antigo blog
"Menna Comentários", precursor deste.
Data da postagem original: 17.02.2016.
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Nunca fui o melhor em nada…

Nunca fui o melhor nem mesmo em não ser o melhor…

Nunca quis ser o melhor pra ti.

Queria apenas te ser suficiente…!


(De um conto que estou escrevendo… mas o personagem está lutando comigo, dentro de mim… e às vezes parece ser mais forte que eu e se recusa a dizer o que lhe exijo que diga. Preciso conhecê-lo e descobri-lo… só assim conseguirei escrever o conto!)

OBS: este texto deu início ao tema “Pensamentos Perdidos” no blog Menna Comentários. Depois de algumas postagens, foi que iniciei a postagem do Conto de Ella em capítulos. Já tenho duas novas séries inéditas (bem curtas) para publicar no tema “pensamentos perdidos”, o que farei intercalando com as postagens do blog anterior!


Por Luís Augusto Menna Barreto

sábado, 14 de maio de 2016

poesia de ver - troca de perfumes

Poesia de ver


"Não me leves pro sol… Só hoje, não quero abrir… Quando chegaste perto, pela manhã, fui eu que te cheirei… deixa eu ficar mais um pouco abraçando o perfume teu que ficou em mim…"

Fiquei em silêncio, surpreso… e tu me explicaste:

“Não percebeste? Sempre foi uma troca: quando te abaixas pra cheirar-me, também eu cheiro teu perfume…”

Imagem e texto por Luís Augusto Menna Barreto

sexta-feira, 13 de maio de 2016

crônica - Mereceu

Crônica: Mereceu

Originalmente  publicado no antigo blog
"Menna Comentários", precursor deste.
Data da postagem original: 31.01.2016.
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Pois essa aconteceu na Ilha do Marajó, que, na verdade, nem é uma ilha, é um arquipélago inteiro. Mas deixa eu explicar que o Marajó não é Fernando de Noronha. Tem que dizer porque muita gente pensa que o Marajó é como Fernando de Noronha e não é nem um pouco parecido; digo porque conheço várias cidades do Marajó... ... Tá certo que não conheço Fernando de Noronha, mas diz que lá é só praia deserta e paradisíaca. Enfim, o Marajó é diferente, pronto. Foi no fórum de uma das cidades do Marajó. Tudo bem, vocês devem estar pensando num forunzinho do interior, em que o ventilador fica rodando devagar, e dois ou três funcionários estão ali, se abanando sem ter o que fazer, não é? Pois não é mesmo! É uma correria, mais de trinta funcionários e dois juízes fazendo o trabalho de 5 ou 6. 
 Pois foi lá que aconteceu. 
 Era um caso de violência doméstica, ou, como as pessoas chamam “era um Maria da Penha” (a Maria da Penha original sofreu duas tentativas de homicídio pelo marido, lutou por sua condenação e dezenove anos depois ele foi condenado a oito anos, cumpriu dois e tá aí, soltinho da Silva).
 Mandei chamar o caboclo, que chegou na sala algemado, cara de poucos amigos e olhando pro chão. 
 Depois entrou a vítima. De óculos escuros e pedi que tirasse.
 O caso havia sido há trinta dias, mas quando ela tirou o óculos: Égua da porrada!! (Prá você que não sabe, “égua” é uma espécie de “bah”, ou “barbaridade”. Para os paraenses, o “bah” é o “égua” e o “barbaridade” é o “pai d’égua”, e tem mil utilidades e flexões, mas sobre isso falo outro dia).
 O olho da moça, trinta dias depois, ainda tava roxo e inchado! Ou o cara, que era um caboclo pequeno, meio miúdo, tinha muito mais força do que aparentava, ou acertou exatamente no mesmo lugar, várias vezes.
 Fui olhar o laudo do exame de corpo de delito e tava escrito agressão por instrumento contundente – mão humana. E pra quem não conhece, ainda tem quesitos perguntando se a lesão foi causada por meio insidioso (vai saber o que é isso?) ou cruel. Pois constava: “meio cruel, socos”! 
 O fato é que a vítima estava com aquele olho que fazia a gente querer e não querer olhar ao mesmo tempo.
 Tudo pronto na sala de audiências, defensor público tentando enviar mensagens no celular, promotor olhando o iPad, perguntei: 
 "Sim, tchê, o que te deu para fazer esse estrago?" (ah, esqueci de dizer, sou gaúcho e a vida me trouxe até o Marajó).
 "Não sei, doutor, eu tava porre."
E outra, por aqui não se fala “eu tava DE porre”. É sem preposição mesmo, o sujeito está “porre” como quem está “bêbado”. Fala direto.
"Como é?”, eu perguntei.
"Não lembro, eu tava porre."
Se tem uma coisa que quem me conhece sabe, é que esse negócio de ficar se escondendo da verdade dizendo que não lembra, me deixa furioso. O olho da guria ainda tava uma rodela roxa um mês depois, e o cara não lembra? Tá preso por conta dessa agressão e diz que não lembra? Nesse momento me seguro pra não perguntar se ele tá podendo sentar direito, porque (dizem por aí) de porre não tem dono!
Tentei mais uma vez:
"Olhas, vai ser melhor se me contares o que houve. Me falas o que aconteceu para teres feito isso."
O mal acabado não deu o braço a torcer:
"Eu tava porre, não lembro doutor." E continuava a olhar pro chão.
Nessa altura desisti e perguntei prá vítima:
"Então me diga a senhora: o que houve? Qual o motivo da agressão?"
E agora, ela que parecia réu:
"Sabe doutor, eu não queria falar sobre mmmmmmmm.."
“Hein?"
"Eu não queria, eu que mmmmm.."
"Não estou escutando, faças o favor de falar mais alto!"
E um filetinho de voz mais alto:
"Eu não queria ter que falar sobre isso, doutor, mas é que eu mereci!"
"Égua!" Esse foi o promotor, paraense da gema, que soltou com espanto!
...
Não insisti. Nós nos olhamos, o promotor, o defensor público e eu, e nem precisou debate. O caboclo saiu solto da audiência!
Era o típico caso: ele não sabia porque havia batido... mas ela sabia por que havia apanhado!

Por Luís Augusto Menna Barreto


quinta-feira, 12 de maio de 2016

pensamentos perdidos - Conto de Ella - Capítulo XV - Final

Pensamentos Perdidos:
(Conto de Ella - Capítulo XV - FINAL - um conto com trilha sonora)

... e eis que os anos foram passando...

Esse amor, tão particular, tão diferente, mas tão indubitavelmente amor, resistiu...

Houve raivas... houve outros braços... houve sonhos sonhados, ditos ou não...

Houve cobranças, quando a paixão era grande demais para suportar-se em si mesma... houve mais raivas...

Ella continuou livre... e finalmente, entendeu-se livre... porque se permitiu amar e aceitar o amor... daquele jeito... tão particular e tão inapelavelmente amor...

Ele, aprendeu a conformar seu amor, nos poucos raios de sol que recebia de Ella... mas que lhes eram suficientes...

Aceitava-a... Aceitava-o… E era amor... de ambos... depois de todo esse tempo.

Fim…                                 ?

(Fragmento de um conto sem nome - que passei a chamar “Conto de Ella”. Hoje, o capítulo XV - FINAL - de um total de 15; continuação dos "Pensamentos Perdidos" das postagens:

Capítulo I, post 24 março 2016;

Capítulo II, post 27 março 2016;

Capítulo III, post 31 março 2016;

Capítulo IV, post 2 abril 2016;

Capítulo V, post 7 abril 2016;

Capítulo VI, post 10 abril 2016;

Capítulo VII, post 14 abril 2016.

Capítulo VIII, post 17 abril 2016

Capítulo IX, post 21 abril 2016

Capítulo X, post em 23 abril 2016

Capitulo XI, post de 27 de abril de 2016

Capítulo XII, post de 1 de maio de 2016

Capítulo XIII, post de 5 de maio de 2016

Capítulo XIV, post de 8 de maio de 2016


todos aqui do blog!).

(Quando escrevi este conto, imaginei-o com a trilha sonora de cada capítulo... no original, o trecho da trilha sonora imaginada para a narração, vinha ao lado do texto. Por questões de formatação, não consigo fazê-lo aqui. Em breve estará disponível na iBooks e Amazon, o conto completo… Com a indicação da trilha sonora! 
Para cada capítulo, há uma música diferente, com os versos da letra, pinçados por mim, para interagir com o conto. 
Penso que muito se esclarecerá com a trilha sonora. Muitas frases soltas, passarão a fazer sentido. Porque jamais o imaginei sem as música… então escrevi apenas umas partes… as outras, a trilha sonora é que conta!)

Por Luís Augusto Menna Barreto 


quarta-feira, 11 de maio de 2016

poesia de ver - morte invertida

Poesia de Ver...
Originalmente  publicado no antigo blog
"Menna Comentários", precursor deste.
Data da postagem original: 21.02.2016.
Comentários na postagem original: 4
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(Texto original)
Pelos caminhos de Belém do Pará. Saí pra ir comprar papel... no meio da paisagem, tava ali, onde passamos mil vezes todos os dias... Sabes onde é...?!





(Texto inédito)
Tanto mato em meu entorno... a tinta já desbotada... sequer o silêncio da tua reverência... Vês? Parece uma morte invertida: não és tu que choras minha ausência... sou eu que choro teu esquecimento...


Imagens e texto por Luís Augusto Menna Barreto

*OBSERVAÇÃO: Esta imagem deu origem ao tema "Poesia de Ver". Foi a primeira vez que usei uma imagem e, a partir da terceira postagem de imagem, o tema ganhou a forma que mantenho até hoje: uma imagem e a expressão escrita que dela retiro. Por isso coloquei o texto original e, em seguida, a expressão que hoje retiro.

terça-feira, 10 de maio de 2016

crônica - O Presidente, o Manobra e a Ambulância - parte 3 - Final!

Crônica -  Presidente, o Manobra e a Ambulância (parte 3)
- Inédita - 

Desde o evento da visita do presidente do Tribunal quase um ano antes, o Manobra passou a se achar meu “íntimo”! 
Todo os dias à caminho do fórum, bem cedinho, passava pelo Manobra já com um copo de cerveja na mão ou no bar do Seu Nonô ou no açougue do Retalho e ele não fazia cerimônia: erguia o copo e falava alto, para os outros verem como era “intimo" do juiz:
“Quer carona doutor?” Mesmo com o fórum a menos de cinquenta metros de distância!
“Teve transporte pro navio essa noite, Manobra?”
“Teve um, mas o motor demorou a pegar e levaram na maca, doutor! Mas já tá zerada pronta pro presidente”!
E era assim quase todo o dia, cada vez com uma história diferente:
“… teve um, mas eu deixei a chave no banheiro, quando fui pegar, levaram de maca”!
E o Manobra seguia com o emprego de motorista da ambulância, destinada ao trajeto de duzentos metros entre o hospital e o trapiche municipal, onde encostava o navio duas vezes por noite!
“… teve um, mas tava na garagem, quando cheguei já tinham levado de maca!”.
E a vida seguia!
Quando cheguei, naquele dia, encontrei em cima da mesa, o convite: inauguração do novo prédio do Tribunal de Justiça! 
Era quase final do mandato de 2 anos do presidente. Mas ele foi uma espécie de “Juscelino Kubitscheck” do Poder Judiciário. Fez um salto de vinte anos em dois! De forma francamente inacreditável, todo o Estado estava se comunicando pela internet, mesmo em comarcas como Novo Progresso, Faro ou Jacareacanga! E quem não sabe o que eu estou falando, tente ver num mapa e vai entender!
Pois uma das promessas do Presidente foi inaugurar um novo prédio para o Tribunal de Justiça! E eis que em dois anos, projeto e execução tornou-se realidade. Agora… imagina a festa!
Pois lá estava o convite! 
E vou perder essa boca-livre?! Nem pensar! Arrumei tudo, e naquela noite mesmo, embarquei no navio que passa por volta de 22 horas em Curralinho! Atei minha rede e o navio nem bem tinha saído e já tava dormindo, sentindo o embalo bom da rede e o vento da noite amazônica fazendo a maré ficar com pequenas cristas onde a lua estava deitada, colorindo de prateado as águas do rio sem fim!
Acordei com o rio saindo da última curva e descortinando a exuberância da cidade de Belém, vista lá do outro lado, entre a indecisão do breve encontro dos primeiros raios do sol com o os últimos do luar… 
À contra gosto, vesti o paletó e escolhi a melhor gravata! Pensei: quero chegar pelo menos meia hora antes, para tentar um bom lugar! Viriam todos os presidentes de tribunais do país, e a própria Ministra Presidente do Supremo Tribunal Federal estaria presente! A primeira ministra mulher do Supremo e a primeira presidente mulher do Supremo!
Cheguei meia hora mais cedo como o planejado… …. só que acho que todo mundo havia chegado uma hora mais cedo! Quase não consigo entrar nas salas secundarias, onde estavam espalhados telões, quanto mais no salão do Pleno, onde a cerimônia aconteceria!
Depois, seria festa! Nunca havia visto tanto garçom num único evento! 
Cumprimentei vários colegas e o assunto era um só: a elegância da Ministra! Não tinha uma rodinha de gente que não estivesse falando nisso. E todo mundo queria tentar chegar perto. Mas vou dizer: impossível! Havia uma blindagem de seguranças, além do fato de que no salão onde estavam, o acesso era bem mais restrito! Imagina uma fotografia com a Ministra, então? Barbaridade (ou: égua!!!!, como dizem aqui!), seria um troféu. Teve colega meu que fez o plano. Falava com outro:
“óh, fica com meu telefone. Vou tentar da a volta e tu tentas chegar perto. Quando tiver num ângulo que eu pareça lá atrás da Ministra, tu faz um sinal, eu dou um sorriso e tu fazes a foto”.
A conhecida “papagaio de pirata”! Mas só isso já era um troféu!
Eu não tinha essa pretensão toda. Estava era contente com a qualidade dos salgadinhos e os sucos regionais servidos! Fiquei mais ao fundo do maior salão e queria mais era passar despercebido, porque estava mesmo matando a fome. 
Quando estava justo com um salgadinho na mão, ouvi o barulho característico parecido com tumulto! Como todos, espichei o pescoço, fiquei na ponta dos pés e tentei ver o que era. Pois parecia uma onda de preto vindo da porta para o fundo! Mais ou menos na direção que eu estava. 
Testa enrugada! “O que é isso”? Olhei pra trás e não havia nada ali. Tá, tinha um quadro perto da janela, um vaso marajoara muito bonito, mas nada que merecesse uma especial visita! E a onda continuava a mover-se. 
Testa mais enrugada! Comecei a fazer o plano: vou ir mais para o fundo, perto da janela. E muita gente foi recuando, enquanto a onda preta chegava mais perto!
Testa enrugada e olho arregalado! Deu pra ver o que era: os seguranças da ministra abrindo caminho! Num local apertado, podem presumir que não era a maior delicadeza do mundo a forma como pediam licença, né?!
Fui mais pra trás… mais pra trás…. e a onda vindo… vindo….!
Pronto! Encostei a bunda na parede! A janela estava uns três metros para o lado. Já estava pensando como eu faria pra passar por todos os que como eu recuavam e me atirar pela janela!
Testa enrugada, olho arregalado e paralisei. A boca aberta, mas sem o salgadinho que ainda tava na minha mão e eu o protegia como quem tem um objeto valioso a proteger (estava bom MESMO!).
Quase pânico! “Calma, calma…. eles não vão atravessar a parede, pensei!”
Dali a pouco, vi o branco dos olhos dos primeiros seguranças! Fiquei o mais firme que podia, protegi como pude o salgadinho e esperei o empurrão!
Não veio!
De repente, como em cone, a onda se abriu e, lá do meio, protegidos, vi o Presidente do Tribunal conduzindo o Presidente do Tribunal do Rio Grande do Sul e a Ministra. 
Bateu aquele momento: 
“Ããããnnnhhhhhhh…..”
Pararam na minha frente. Não sei quanto tempo durou isso, porque eu tava congelado!
O Presidente do Tribunal virou para a Ministra e para o Presidente do Tribunal de Rio Grande do Sul e disse, apontando pra mim, com um ar divertido:
“Aqui está! Esse gaúcho que eu falei que me fez andar de ambulância no Marajó!”
“Ããããnnnnhhh”…. (esse era só meu pensamento estacionado no limbo entre o engasgar e as frases das quais falamos e sentimos vergonha depois. Mas, graças a Deus, não saiu nenhum som na hora!)
Num gesto automático, foi o melhor que pude, estendi a mão! Com algum atraso, veio a única frase que meu cérebro conseguiu organizar na hora:
“Desculpa-me, Senhora Ministra. Não sei o que dizer, porque nunca falei com um ministro na minha vida!”
… mão estendida!
Ela sorriu, com a elegância que lhe é peculiar:
“Ah, meu filho, me dê um abraço”!
Pude ouvir aquele “óóóóhhhh" silencioso no íntimo de cada um que estava perto! Ganhei um abraço da Ministra! Tá, devo ter apertado a mão do Presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (meu Estado, aliás), mas nem me lembro… que me perdoe o Presidente…. mas ganhei um abraço da Ministra!
Confesso que não posso descrever como isso acabou, nem se houve mais alguma conversa… porque quando acordei daquele estado de anestesiado, o salgadinho estava na minha mão, eu ainda estava com a boca aberta e um colega muito espirituoso veio falar comigo (Dr. Miguel!):
“Fala gaúcho!”.
Despertei falando com ele!
“Caramba! Tu viste, Miguel?! Ela me abraçou!”
“Sim, tu querias que ela fizesse o quê, gaúcho?”
Olhei pra ele sem acreditar no comentário!
“Ora, achei que ela simplesmente apertaria minha mão!”
“Tá, e tu achas que ela ia ficar com a mão toda engordurada esmagando o salgadinho na mão que tu estendeste pra ela?”
Pois é: o salgadinho!

Por Luís Augusto Menna Barreto


Para quem quiser ler as partes 1 e 2:

O Presidente, o Manobra e a Ambulância - Parte 1

O Presidente, o Manobra e a Ambulância - Parte 2